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Convite a Afif concretiza aliança PT e PSD e constrange Alckmin

Julia Duailibi

06 de maio de 2013 | 19h26

O convite para o vice-governador Guilherme Afif Domingos (PSD) ocupar o Ministério da Micro e Pequena Empresa é a concretização da aliança do PT com o PSD, do ex-prefeito Gilberto Kassab e ex-adversário dos petistas em São Paulo. Aliança que já existe no Congresso e que ficará ainda mais visível na eleição do ano que vem, a despeito das declarações de líderes do PSD, entre eles do próprio Kassab, de que o partido manterá independência em relação ao governo.

O PSD afirma que a indicação de Afif não significa a entrada do partido na base governista e que a nomeação é da cota pessoal da presidente Dilma Rousseff. Na realidade, líderes da legenda admitem nos bastidores que o partido não se sentiu contemplado com o ministério dado à legenda, considerado pequeno. O foco era a pasta das Cidades ou do Transportes.

A ida de Afif para o governo petista é um constrangimento para o governador Geraldo Alckmin (PSDB), que já não mantinha boa relação com vice desde 2011, quando o demitiu da Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Na época, o tucano resolveu tirar o vice do posto de secretário como retaliação pelo fato de Afif ter decidido trocar o DEM, partido aliado, pelo PSD, partido de Kassab, adversário de Alckmin que tem pretensões políticas em 2014, quando o governador disputará a reeleição. Além de ter o vice atuando no governo do PT, maior adversário do tucano, há a questão da hierarquia. O vice-governador não responde ao presidente da República, mas o ministro, sim. E aí, perguntam os tucanos?

Os tucanos sabiam que a nomeação sairia nos próximos dias e até chegaram a trabalhar com a hipótese de Dilma fazer o convite hoje, durante a cerimônia de posse do novo presidente da Associação Comercial de São Paulo, Rogério Amato. A orientação agora no Palácio dos Bandeirantes é não comprar briga. Embora a situação de Afif seja questionada do ponto de vista jurídico, Alckmin não pretende se desgastar por causa da decisão do vice, que deve manter o cargo em São Paulo. Os dois acabaram de ter uma conversa, considerada “amigável”. O Palácio dos Bandeirantes soltará duas notas, uma de Afif e outra de Alckmin, para comentar a situação. Publicamente, serão só elogios.

Uma das soluções técnicas apontadas para Afif, que consultou juristas sobre a situação de acumular a vice e o ministério, seria também viajar quando Alckmin tiver de deixar o País, situação em que seria obrigado a assumir o governo do Estado. Alckmin chegou a ouvir de aliados que, se quisesse dar o troco em Afif, poderia viajar no dia em que o vice assumir o ministério. Sem cumprir com a obrigação constitucional em São Paulo, o vice poderia ser submetido a um processo de impeachment pela Assembleia.

Na teoria, tudo bem. Mas na prática a história é diferente. Por hora, Alckmin não vai comprar essa briga. A ideia é deixar que Afif e o seu partido, o PSD, se desgastem sozinhos com a situação considerada “esdrúxula” pelo governo estadual.

 

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