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Consultoria prevê aumento de insatisfação com Dilma; risco de impeachment é de 20%

Eurasia cita escândalo na Petrobras e medidas de ajuste fiscal para dizer que 'pior ainda está por vir' para a presidente em relação à opinião pública

Julia Duailibi

18 de março de 2015 | 16h25

A consultoria de risco político Eurasia prevê um aumento da insatisfação da população com o governo Dilma Rousseff nos próximos meses, em razão dos efeitos das medidas de ajuste fiscal que começarão a ser sentidos pelos brasileiros. A Eurasia, porém, mantém em 20% o risco de impeachment da presidente.

“Do ponto de vista da opinião pública, o pior ainda está por vir”, afirma o diretor para América Latina, João Augusto de Castro Neves, em referência aos desdobramentos do escândalo da Petrobras e ao impacto das medidas de ajuste fiscal na economia. “Com a continuidade do enfraquecimento do mercado de trabalho e a contração da economia neste ano, as taxas de aprovação de Dilma vão continuar muito baixas por algum tempo”, afirmou em análise enviada aos clientes, que repercutia a pesquisa Datafolha de hoje, segundo a qual o governo Dilma tem a desaprovação de 62% da população.

Por outro lado, a consultoria analisa que o governo continua em uma trajetória “neutra” (quando os acontecimentos políticos têm impacto neutro ou insignificante no ambiente de negócios), em vez de “negativa”. A razão disso está justamente na manutenção das medidas de correção da macroeconomia, que poderão levar a um cenário mais positivo a partir de 2016. “A notícia boa, porém, é que é pouco provável que Dilma recue no caminho de ajuste da economia.”

“Dilma está ciente de que, para preparar o caminho para a recuperação econômica em 2016 e depois, este será um ano crítico”, afirmou a consultoria, destacando que as medidas encontram alguma resistência na sua base governamental, como entre o PT.

A consultoria também vê com certo otimismo a aprovação das medidas de ajuste no Congresso, apesar das derrotas recentes do governo no Legislativo. “Apesar do alto custo, há ainda espaço para negociação no Congresso.” E destaca também a intenção de Dilma de fazer uma nova reforma ministerial. Segundo a análise, apesar de a mudança na equipe não arrumar por inteiro os problemas da base governista, ela evidencia certa reação do governo.

A Eurasia foi uma das consultorias que previram a reeleição de Dilma Rousseff em 2014, quando muitos analistas apostavam na vitória da oposição.

 

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