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Campos e Aécio afinados nas críticas

Julia Duailibi

09 Abril 2013 | 19h35

Os presidenciáveis Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) convergiram hoje nas críticas ao governo Dilma Rousseff. Ambos escolheram o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) como alvo  dos ataques.

Em Porto Alegre, Campos mais uma vez criticou a política econômica do governo e afirmou que o Brasil não pode apostar só no consumo para incentivar o crescimento econômico. “Precisamos ter um modelo que não pode ficar só sob a responsabilidade de um banco oficial”, afirmou em referência ao BNDES.

Em Brasília, o banco também foi alvo da direção nacional do PSDB, alinhada a Aécio. O presidente nacional do partido, Sérgio Guerra (PE), assinou uma nota na qual diz ser suspeita a atitude do governo que tornou secretos documentos sobre operações do BNDES com Angola e Cuba. A informação foi revelada hoje pelo jornal Folha de S. Paulo.

“Levanta suspeita o fato de o governo brasileiro ter tornado secretos os documentos que tratam de operações financeiras, via BNDES, da ordem de US$ 895 milhões, fechadas com Angola e Cuba”, afirmou o tucano.

Aécio e Campos mantém boa relação a ponto de, no passado, aliados já terem especulado sobre a formação de uma chapa única em 2014. O PSB, em Minas, é parte do projeto de Aécio, que apoiou a eleição de Márcio Lacerda para prefeito de Belo Horizonte.

Com a candidatura de Dilma Rousseff à reeleição ocupando o discurso governista e, portanto, de continuidade, Aécio e Campos começam a buscar um espaço ao sol. A estratégia de Campos é se colocar como uma espécie de terceira via, com um pé no governismo e outro na crítica ao Planalto. Se resolver mesmo se candidatar, não quer ser identificado como uma candidato de oposição, mas, por outro lado, também precisa de um discurso propositivo e que aponte equívocos da atual gestão – inclusive, para satisfazer empresariado e mercado financeiro, críticos à condução da economia pela presidente.

Já Aécio tentará empunhar a bandeira da oposição de maneira mais contundente. Nas últimas eleições presidenciais, o PSDB titubeou ao adotar o discurso oposicionista. Era de oposição, pero no mucho.