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Alckmin e o projeto ‘brasileiros de São Paulo’

O governador não conseguiu montar uma equipe com musculatura nem ao menos propor um novo desenho para o secretariado; não conseguiu, assim, cumprir a primeira etapa do projeto rumo a 2018

Julia Duailibi

05 de janeiro de 2015 | 06h46

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), costuma usar a expressão “brasileiros de São Paulo” para se referir a quem vive no Estado. Em seu discurso de posse em 2011, já havia recorrido a ela para falar da “capacidade empreendedora dos brasileiros de São Paulo” e para dizer que o Estado tinha uma “generosidade enorme para receber e abraçar os povos do Brasil e do mundo”.

Na posse de 2015, Alckmin recorreu novamente à expressão, mas deu uma conotação política a ela. “Os brasileiros de São Paulo repudiam o aparelhamento da máquina pública, consideram repugnante a prática política que transforma o Estado num clube”, afirmou o governador, adotando uma retórica de oposição ao PT, que cai bem para quem quer ser o candidato a presidente pela oposição daqui a quatro anos.

Quando fala dos “brasileiros de São Paulo”, Alckmin mira o País. Quer sair do figurino do governador paulista. Faz exatamente o que propõe o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, para quem será candidato do PSDB em 2018 aquele que conseguir sair de suas fronteiras e falar para o Brasil.

A primeira etapa dessa trajetória de Alckmin rumo a 2018 consistia em dar uma dimensão nacional para o seu novo governo e fazer dele o principal ativo na disputa interna contra o senador mineiro Aécio NevesQueria diminuir o número de secretarias e convidar “ministeriáveis” para fazer parte delas.

Mas Alckmin não conseguiu nem uma coisa nem outra.

Não conseguiu reduzir as 25 pastas. Pediu ao ex-secretário da Casa Civil e agora secretário de Governo, Saulo Abreu, que fizesse um estudo sobre o corte, ainda no final do ano passado.

Mas acabou refém da própria caneta. Não cortou os cargos de primeiro escalão em razão da demanda dos partidos aliados. Teve de emplacar representantes de legendas em 9 dos 25 postos. Entraram na nau governista do PRB, de Celso Russomanno, ao PSB, da ex-candidata a presidente Marina Silva.

Queria convidar técnicos de prestígio nacional, no lugar de parlamentares paulistas, que ocuparam praticamente um terço de seu secretariado nomeado em 2011. Conseguiu diminuir o número de deputados, mas não emplacou nenhuma estrela no time.

O resultado final é um secretariado é insosso. O governador não conseguiu criar um desenho mais enxuto para sua equipe muito menos dar musculatura a ela.

Não conseguiu, enfim, cumprir a primeira etapa de seu projeto e falar com o Brasil. Mesmo que por meio dos “brasileiros de São Paulo”.

 

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