As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Aécio e o retrovisor

Ex-presidenciável segue à risca conselho de FHC, para quem será candidato a presidente pelo PSDB o tucano que conseguir um discurso mais amplo e falar nacionalmente

Julia Duailibi

22 de dezembro de 2014 | 15h56

O senador mineiro Aécio Neves (PSDB) partiu para o terceiro turno: embora seu objetivo seja a eleição de 2018, ele ainda faz reverberar o pleito de 2014. Diferentemente dos ex-candidatos a presidente do PSDB, José Serra e Geraldo Alckmin, que quando derrotados sumiram do mapa por alguns meses, Aécio não foi fazer curso em universidade americana nem se poupou dos holofotes da imprensa por algum tempo. Ao contrário. Com um bom palanque no Senado, já começou a se posicionar como o principal líder da oposição para garantir seu espaço na próxima eleição.

Em entrevista à Folha hoje, o senador e presidente do PSDB chamou de “pacote de maldades” do governo federal as medidas que a nova equipe econômica prepara para ajustar as contas do governo. Disse ainda que será contra novos impostos e questiona de onde virão os R$ 100 bilhões necessários para o ajuste de 2015. Apontou as contradições entre o discurso de Dilma pré-eleição e o pós-eleição. Mas cai ele mesmo em contradição ao ser contra as medidas amargas que defendia durante a campanha – aliás, como ele mesmo destaca, o futuro ministro da Fazenda, Joaquim Levy, é da sua turma. Seria mais coerente agora apoiar as medidas, mostrando toda a falácia eleitoral da presidente durante a campanha – e não cometer o mesmo equívoco e se equiparar à estratégia adversária.

Aécio defendeu também na entrevista as medidas jurídicas tomadas pelo PSDB, sob a sua orientação – entre elas o pedido de auditoria no sistema eleitoral, considerado um tiro no pé pelos seus próprios pares, e a investigação na campanha de Dilma.

O senador diz que o recurso à Justiça pedindo as investigações está de acordo com as regras da democracia. É verdade. Mas é inegável que ele dá elementos para aqueles que pregam ações antidemocráticas, além de ter como maior efeito colateral corroer a legitimidade do discurso oposicionista que Aécio tanto tenta fortalecer. O senador se esforça para, publicamente, descontaminar suas críticas de qualquer projeto pessoal, mas parece não perceber que, ao insistir em 2014, antecipa de maneira equivocada 2018.

Com as críticas ao que antes defendia e as ações na Justiça mirando 2014, Aécio traça um caminho tortuoso para chegar a 2018. Deveria focar sua estratégia eleitoral nas viagens que diz que fará pelo País e na montagem de um ministério paralelo para acompanhar as ações do governo Dilma. Seria mais eficiente que olhar pelo retrovisor. 

 

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.