As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Aécio e Dilma: UFC eleitoral

Sentados frente a frente como se estivessem numa audiência de conciliação na Justiça, Dilma e Aécio pareciam mais um casal que queria lavar mesmo a roupa suja

Julia Duailibi

16 de outubro de 2014 | 22h46

A depender da escalada de agressões nos debates, chegaremos ao final da eleição com os dois candidatos à Presidência trocando sopapos na frente das câmeras. Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) praticamente perderam a compostura e protagonizaram o embate mais duro feito nesta eleição até agora, durante o encontro de hoje no SBT – e olha que o anterior, na Band, na última terça-feira, já havia sido um duelo e tanto.

Além do “arroz com feijão” dos últimos confrontos (troca de acusações sobre corrupção e sobre quem investiga e quem joga para baixo do tapete, discussão a respeito da paternidade dos programas sociais e índices econômicos), o bate boca descambou para os familiares, tema que parecia um clássico do passado, numa distante eleição de 1989.

Sentados frente a frente como se estivessem numa audiência de conciliação na Justiça, Dilma e Aécio pareciam mais um casal que queria lavar mesmo a roupa suja. A petista dava bronca em Aécio, levantando o dedo e a voz. O tucano não se acuava. Foi para cima da candidata. Conseguiu se sair melhor que no encontro anterior, quando abusou da ironia e passou uma imagem de arrogância.

Se no debate passado Dilma tirou da manga uma acusação de nepotismo envolvendo familiares de Aécio, dessa vez levou o caso do bafômetro, quando o tucano foi parado numa blitz no Rio e se recusou a fazer o teste. É a estratégia de combate do PT: deixar sempre o adversário no escuro, no suspense, sem saber o que vai aparecer pela frente. Mas o que poderia ser um gol para a petista acabou sendo uma falha: ela fez a insinuação sobre Aécio no episódio, mas não perguntou diretamente ao tucano a razão dele ter se recusado a fazer o teste. Ficou feio.

O PSDB aderiu ao modus operandi petista e tirou da cartola informações novas contra a adversária, como a do emprego de Igor Rousseff, irmão da candidata, na Prefeitura de Belo Horizonte. Provavelmente, o endurecimento das acusações deve chegar agora aos programas de Aécio no rádio e na TV, onde ele estava adotando um tom mais ameno contra a candidata. O empate técnico das últimas pesquisas fez crescer a cobrança no PSDB por uma postura mais dura do candidato.

O “olho por olho, dente por dente” tornou o confronto tenso e constrangedor e não contribuiu para o eleitor indeciso definir o voto. Cada um acabou jogando para sua plateia, que vibrava nas redes sociais a cada golpe baixo. Quem não curte UFC ganhou mais voltando para a novela.

 

Tudo o que sabemos sobre:

AéciodebatesDilmaPSDBsegundo turno

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.