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A defesa e a defesa de Aécio

Ao defender Anastasia, Aécio adota postura diferente de quando surgiram denúncias envolvendo o ex-presidente do seu partido Sergio Guerra

Julia Duailibi

09 de janeiro de 2015 | 00h19

O tom da nota divulgada pelo PSDB, assinada pelo presidente do partido, senador Aécio Neves (MG), em defesa do senador eleito Antonio Anastasia (PSDB-MG) difere muito daquele adotado pelo ex-candidato a presidente quando o nome do ex-presidente do PSDB Sergio Guerra, morto no ano passado, apareceu nas denúncias envolvendo a Petrobras.

De acordo com informações veiculadas com base em depoimentos da Operação Lava Jato, Anastasia teria recebido, na eleição de 2010, R$ 1 milhão de um policial que fazia parte do esquema operado pelo doleiro Alberto Youssef.

Aécio nem titubeou e fez uma defesa veemente de Anastasia, um dos seus maiores aliados políticos, como se os ataques tivessem sido direcionados a ele mesmo. “A falsa e covarde acusação não se sustenta em pé, seja pelo caráter e honestidade pessoal do senador, reconhecidos até mesmo por seus adversários políticos, seja pela falta de nexo na história apresentada: um nome de clara oposição ao governo federal  sendo financiado por uma organização criminosa, formada por pessoas e diretores ligados à gestão do PT na Petrobras.”

Em outubro do ano passado, Aécio foi mais cauteloso. Quando surgiu a informação de que o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa teria dito, em sua delação premiada, que Guerra cobrou R$ 10 milhões para abafar uma CPI sobre a empresa, Aécio declarou: “Se alguém tiver responsabilidade, independentemente de partido político ou sem partido político, deve responder pelos seus atos”.

Naquele momento, Aécio atravessava a campanha eleitoral e cobrava a adversária Dilma Rousseff para que investigasse as denúncias na Petrobras. Portanto, cabia bem a retórica em defesa de uma investigação irrestrita, do tipo “doa a quem doer”. Mas agora, fora da campanha, o tom do discurso é outro.

 

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