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A culpa é sempre do marqueteiro

Depois das últimas pesquisas Datafolha, Paulo Vasconcelos tornou-se o alvo preferido dos tucanos

Julia Duailibi

22 de outubro de 2014 | 16h27

Coisa mais comum em campanha é o marqueteiro virar alvo dos políticos quando algo começa a não se sair tão bem num comitê. Nos bastidores, o marqueteiro de Aécio Neves (PSDB), Paulo Vasconcelos, tornou-se por ora o alvo preferido dos tucanos, na esteira das duas pesquisas Datafolha que colocam Dilma Rousseff (PT) numericamente na frente do tucano.

Embora, no geral, os aliados políticos de Aécio questionem as pesquisas (eles afirmam que os levantamentos internos mostram outro cenário – tracking concluído ontem à noite seria de 52 a 48 para o candidato tucano), eles aproveitam para atacar os programas de rádio e TV, algo que só acontecesse quando o sinal amarelo é aceso numa campanha.

Os tucanos querem mais agressividade por parte de Aécio, a despeito de toda a polêmica do debate do SBT, na semana passada, quando o tucano e a petista praticamente se engalfinharam na frente das câmeras. Conforme comentado no post anterior, a subida de tom trouxe efeitos colaterais para Aécio, que, depois de intenso trabalho do PT, ficou com a imagem de truculento perante parte do eleitorado. Neste momento da campanha, porém, João Santana é visto como gênio, e Paulo Vasconcelos, marqueteiro de Minas que fez outras campanhas de Aécio no Estado, como pouco experiente para a missão. É claro que essa avaliação tende a mudar a depender do resultado das urnas ou das próximas pesquisas.

Integrantes do partido acham que a campanha tem que subir o tom nesta reta final para aumentar a rejeição de Dilma e evitar que votos indecisos ou os voláteis que estão com o tucano migrem para a petista. Acham que a TV e o rádio deveriam relacionar mais Dilma com os mensaleiros, por exemplo. “A campanha está ‘sangue nos olhos’ na rua, e no rádio e na TV parece que você assiste à sessão da tarde”, afirmou um aliado de Aécio. Datafolha mostrou que o eleitor acha que a campanha de Aécio é mais agressiva que a de Dilma. Outra reclamação é em relação à qualidade técnica do programa, que seria inferior à do PT.

Apesar dos políticos, no QG de Aécio a ideia é continuar com as críticas a Dilma, principalmente na questão da corrupção, mas a avaliação é que não adianta aumentar muito os decibéis porque isso acaba afastando esse eleitor indeciso que Aécio tenta cativar. O novo entendimento do TSE, que proíbe ataques entre os candidatos, também diminui a margem de ação da campanha.

Em 2010, a equipe de marketing de José Serra foi alvo de um fogo amigo parecido, porém mais forte. O presidente do PSDB à época, Sergio Guerra, chegou a contratar um marqueteiro paralelo para fazer filmes extraoficiais, nos quais o PT era atacado. Num deles, os petistas eram comparados a rottweilers. Assim como agora, os políticos também queriam mais “sangue”.

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