Votos que fazem a diferença

João Bosco Rabello

13 de janeiro de 2010 | 21h34

O ministro Arnaldo Versiani, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), começa a realizar em fevereiro audiências públicas com representantes dos partidos políticos e do Ministério Público Eleitoral para regulamentar o voto em trânsito  para presidente da República nas eleições de outubro.

Trata-se de um contingente eleitoral digno de caça por parte dos candidatos. São 21 milhões de eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno das eleições de 2006.  No segundo turno, o número foi ainda maior: 23,9 milhões  se abstiveram.

São números que podem definir uma eleição. Para se ter idéia, as abstenções no segundo turno da eleição de 2006 superaram a diferença de votos entre  Lula e  Alckmin, que foi de 22,7 milhões.

Porém, não são números absolutos. Representam o eleitorado faltoso nos mais de cinco mil municípios brasileiros, enquanto o voto em trânsito será permitido somente nas 27 capitais.

Além disso, as abstenções compreendem tanto aqueles eleitores que se deram ao trabalho de justificar sua ausência quanto os que não deram explicações à Justiça Eleitoral.

No universo de 21 milhões que se abstiveram no primeiro turno de 2006,  apenas oito milhões se justificaram. No segundo turno,  esse número subiu para 9,2 milhões.

Em 2006, no primeiro turno, a diferença de votos entre Lula e Alckmin foi de apenas 6,7 milhões de votos – ou seja, 1,3 milhões a menos que o número de eleitores que se justificaram junto à Justiça Eleitoral.

Mas a regulamentação do voto em trânsito é um desafio de logística para a área de informática do TSE.

O sistema de urnas eletrônicas funciona a partir do cadastro de eleitores por zona e secção eleitoral. O eleitor é obrigado a votar na zona e na secção em que estiver cadastrado, porque seu nome estará armazenado na memória da respectiva urna eletrônica.

Para regulamentar o voto em trânsito, o eleitor terá de informar antecipadamente, ao TSE, ( até maio, mês de fechamento do cadastro de eleitores) em qual capital do País ele se encontrará no primeiro e segundo turno da eleição. Uma previsão que nem todo mundo tem com tanta antecedência.

É precário diante do avanço tecnológico já alcançado nesse contexto.

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