Vice do PSB diz que partido está com Dilma

Vice do PSB diz que partido está com Dilma

João Bosco Rabello

10 de novembro de 2012 | 14h18

A presidente Dilma Rousseff reuniu as cúpulas do PT e PSB num jantar no Palácio da Alvorada, na última quarta-feira, a fim de pacificar os dois partidos. Orientada pelo ex-presidente Lula, ela se empenha em manter o PSB na base do governo e neutralizar estímulos a uma eventual candidatura do seu presidente nacional, o governador Eduardo Campos, em 2014.

Menos por considerar provável a candidatura de Campos e mais pelo temor de que uma crise entre os dois partidos possa gerar apoios à candidatura do senador Aécio Neves (PSDB-MG), o governo montou uma operação pela unidade de uma ampla frente à reeleição de Dilma, isolando o PSDB na disputa presidencial.

Um dia depois do jantar em que acertou os ponteiros com o PMDB, com esse propósito de unidade, Dilma jantou com o presidente da sigla e governador de Pernambuco, Eduardo Campos e  o vice-presidente, Roberto Amaral, em companhia do presidente do PT, Rui Falcão, e da ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti.

As vitórias em redutos do PT no Nordeste, as alianças com PSDB e o crescimento do PSB ampliaram a visibilidade de Eduardo Campos e inflaram o ego do partido, apesar de sua projeção nacional ainda não configurar um cacife para enfrentar uma eleição contra uma presidente com privilegiado índice de popularidade.

Em entrevista ao blog, Roberto Amaral relatou que a presidente Dilma reafirmou a satisfação em ter o PSB na base aliada, desejando que o partido siga na base governista. Segundo ele, este desejo é recíproco, porque o PSB não quer deixar o governo.

Amaral desautorizou o governador do Ceará, Cid Gomes, que sugeriu o nome de Eduardo Campos para vice na chapa de Dilma em 2014, no lugar do atual Michel Temer, presidente, de fato, do PMDB. Em entrevistas, Gomes também reclamou do ex-presidente Lula, que criticou o candidato do PSB na campanha em Fortaleza. “Eu fiquei magoado”, desabafou.

O vice-presidente do PSB considera que a questão sucessória está posta fora de hora e conspira contra a gestão de Dilma, porque ao antecipar o calendário tira o foco da administração, o que equivaleria a suprimir parte do mandato.  “É uma deselegância”, diz. Quanto aos ressentidos com os resultados das eleições, ele sugere remédio amargo:  “Vão lamber as feridas” e “desçam do palanque”. Aqui um trecho da conversa com Amaral.

Como foi o jantar com a presidente?

Ela abriu o jantar afirmando que nos convidou para deixar claro que não tinha nenhum envolvimento com esses comentários (sobre as relações estremecidas entre PT e PSB). Ela afirmou que está muito satisfeita com o PSB na base aliada e com o nosso crescimento nas eleições. Ela queria desmentir esses rumores de crise do governo com o PSB.

Não ficaram sequelas dessas disputas?

Não há ambiente de briga entre nós. Estão criando esse clima e vocês (jornalistas) estão acreditando nele.

O PSB derrotou o PT em cidades onde eram aliados, como Belo Horizonte, Recife e Fortaleza, em embates muito acirrados. Sobraram ataques para os ambos os lados. Isso será superado?

Não estamos preocupados com isso. A eleição municipal tem uma lógica própria, a estadual e a federal têm outra. São lógicas totalmente diferentes que as separam. Tem coisas que unem e separam nos municípios. Tem alianças possíveis no plano municipal e outras que não funcionam. Ora, quem estiver ferido, que trate de lamber a ferida. Quem ainda está no palanque, trate de descer. A preocupação do PSB agora é com a administração das 443 prefeituras que conquistamos.

O governador do Ceará, Cid Gomes, sugeriu o nome de Eduardo Campos para vice de Dilma em 2014. O que o senhor acha disso?

Qualquer discussão hoje sobre a sucessão da presidente Dilma, com nome ou sem nome, é uma deselegância. Quem fala em sucessão é a oposição, porque quer reduzir o mandato dela. Eu é que pergunto: interessa a alguém da base do governo discutir agora a sucessão da Dilma? A direção do partido não quer discutir isso, por respeito à República e por quem vai comandar este processo em 2014, a própria Dilma. É ela quem tem que decidir, não os partidos que estão com ela.

 

 

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