Uma pesquisa essencial

João Bosco Rabello

18 de setembro de 2014 | 17h00

É grande a expectativa dos três principais candidatos à presidência, especialmente de Aécio Neves, com a pesquisa Datafolha com divulgação programada para amanhã. Menos com um novo crescimento do candidato do PSDB e mais pela simples confirmação dos números do Ibope desta semana que apontaram aumento de 4 pontos porcentuais em favor do tucano, com queda das suas adversárias.

A confirmação dos números pelo Datafolha será recebida pelo candidato como a afirmação de uma tendência de crescimento que, se levá-lo aos patamar dos 25% em curto prazo, pode reinserí-lo na disputa de forma competitiva.

A convicção do PSDB – e preocupação do PSB -, é que Marina estacione ou caia ainda mais em contraste com o avanço de Aécio. Estaria configurado um cenário de resgate do eleitor tucano que fluiu para Marina por vê-la com maiores chances de derrotar o PT, o que agora não se mantém com a mesma força de antes.

Os ataques a Marina por parte da candidata governista, embora eficientes para produzir uma queda em seus índices, não foi bom para Dilma Rousseff, que também caiu. A reação de Marina, combinando vitimização com tristeza pelas críticas do ex-presidente Lula, a identificou com o PT, respaldando a campanha de Aécio na sua tentativa de mostrar que ela mantém afinidade ideológica com o partido.

Alcançado o patamar entre 23 e 25% por Aécio, avaliam os tucanos que na semana seguinte esse fluxo aumenta criando uma reação do candidato na reta final da campanha. Em tal contexto, a estrutura partidária do PSDB passa a fazer diferença na disputa em relação a Marina, cujo PSB é bem mais frágil e menos influente n os cenários regionais.

A rigor, é uma aposta na redução do aspecto emocional que alavancou a candidatura de Marina após a morte trágica do ex-governador Eduardo Campos, titular da chapa então. Os debates e a luta renhida com Dilma humanizaram a candidata, desmistificando a personagem, para o que contribuiu também o noticiário sobre as irregularidades na operação de fretamento do avião que causou a morte do ex-governador de Pernambuco.

O episódio do aluguel do avião, que até hoje embaraça o PSB, apressou o fim do impacto causado pela morte de Campos. O ex-governador não tinha ainda uma biografia política que a morte transformasse em mito, mas a tragédia poderia gerar esse efeito com prazo de validade.

A dinâmica da campanha antecipou esse prazo e Campos permanece como elemento impulsionador apenas no seu Estado, Pernambuco, como mostra a reviravolta na disputa, em que seu candidato, Paulo Câmara, já passou à frente do rival Armando Monteiro, um movimento com início claro após os rituais de despedida de Campos.

Essa oscilação nas pesquisas, aliada à temperatura da disputa, com todos os ingredientes envolvidos – da corrupção na Petrobrás, à morte de um candidato -, em um clima de profunda insatisfação do eleitorado com a inércia dos atores políticos, dá à campanha uma imprevisibilidade grande, apesar de estar em seu estágio final.

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