Uma maioria com força para reformas constitucionais

João Bosco Rabello

25 de setembro de 2010 | 17h00

 Não é lícito tratar hoje como oposição futura os candidatos e partidos inferiorizados nas pesquisas de intenção de voto. Mas, a uma semana das eleições, já há uma contabilidade razoavelmente segura a indicar que, se eleita Dilma Rousseff, o chamado governo de continuidade terá força numérica, tanto na Câmara quanto no Senado, para promover reformas constitucionais.

No entanto, essa expressão numérica não se traduzirá necessariamente numa força linear e permanente, dadas as diferenças ideológicas e os interesses políticos antagônicos entre os dois principais partidos da base governista – PT e PMDB.

Por isso, é de se prever que este último  exerça  atração natural sobre DEM e PSDB para alianças pontuais contra o PT.

Trocando em miúdos, a oposição engordará o PMDB quando este divergir de seu parceiro em temas que dividam o governo, como inevitavelmente ocorrerá quando se discutirem reformas mais complexas e estratégicas para o País.

Esse pensamento já é explícito no DEM, por exemplo, que não será “extirpado” pelo processo eleitoral, como gostaria o presidente da República, mas chegará ao Congresso amputado e dependente de acompanhantes. Um deles, o PSDB; o outro, o PMDB, conforme a circunstância.

No Senado, a história se repete: a oposição de hoje não deverá somar mais que 23 senadores, configurando um quadro partidário de maioria desequilibrante e um governo de “rolo compressor”, imune até a CPIs cuja aprovação depende de 27 senadores.

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