Todos os olhos na Dilma 2013

João Bosco Rabello

30 de dezembro de 2012 | 18h23

Não obstante a postura evasiva adotada mais recentemente, a chave para eventual candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB) continua sendo o desempenho do governo Dilma no primeiro semestre de 2013. A senha dada por Campos desde o início falava em 90 dias, mas é provável que precise mais para uma avaliação sem riscos.

A rendição do PT ao modelo econômico deixado por Fernando Henrique Cardoso, essencial para a eleição e reeleição de Lula, não foi total e, na fase Dilma, esteve mais vulnerável a experimentações e pressões partidárias, do que é exemplo mais cabal a crítica às privatizações como mote de sua campanha vitoriosa.

Esgotado o modelo de consumo adotado para enfrentar a crise econômica mundial de 2009, a presidente precisa desesperadamente de investimentos para viabilizar a retomada do crescimento, cuja receita impõe uma relação fluida com o capital privado, hoje o principal obstáculo a desafiar a ideologia estatizante do governo petista.

O governo passou a conviver com a realidade dos apagões, desconfiança do empresariado, ao qual acena com margens de lucros rejeitadas, má gestão (que desmistifica a presidente–gerente) e perda de capital político do partido majoritário na aliança.

Não é pouco e, se superar seus próprios demônios nesse campo, a presidente Dilma terá de conquistar um grau mais impositivo junto ao seu partido para melhorar o desempenho do seu governo e preservar os patamares de aprovação que hoje ainda a mantêm como favorita em 2014.

Seu capital está preservado, pois apesar do baixo crescimento, o nível de emprego é bom. Mas se a economia não decolar, o que vai bem tende a piorar com a estagnação. Seu principal problema é político, pois os resultados ruins são produção própria e pouco vinculados à crise externa.

E é a capacidade da presidente de superar os desafios políticos que aparecem aos candidatos visíveis, Aécio Neves e Eduardo Campos, como incógnita em 2013. O que explica a cautela e o ritmo que imprimem aos seus projetos.

No caso do governador de Pernambuco, o pragmatismo que o caracteriza indica um compasso de espera, em que mantenha acesa a chama da candidatura, sem queimar as pontes com o governo cuja base integra.

Campos sabe que o acenado apoio do PT à sua candidatura em 2018 tem porcentual zero de chance. O que pode adiar seus planos até lá é somente o êxito de Dilma em 2013, com a consequente preservação de suas invejáveis condições de reeleição registradas hoje.

Não torce contra, apenas aguarda os acontecimentos para definir seu rumo. Aécio faz o mesmo com a diferença de que será candidato em qualquer circunstância, mas o cenário econômico instável recomenda avaliação diária do melhor momento para estabelecer o tom de sua campanha  E montar suas propostas em cima dos erros da adversária.

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