Subprocuradora que pediu prisão de Arruda analisa provas e pode pedir novas prisões

Subprocuradora que pediu prisão de Arruda analisa provas e pode pedir novas prisões

João Bosco Rabello

12 Maio 2010 | 14h10

roriz

Últimas provas colhidas podem atingir o ex-governador do DF Joaquim Roriz. Foto: José Cruz/Agência Brasil

Desde o dia 15 de abril, a subprocuradora-geral da República, Raquel Dodge, autora do pedido de prisão do ex-governador José Roberto Arruda, e responsável pelo inquérito da Operação Caixa de Pandora, está fechada em copas.

Ela está debruçada sobre os nove volumes e 87 apensos que compõem os autos do inquérito da corrupção em Brasília e com o último relatório parcial da Polícia Federal sobre  a operação.

O relatório resume a primeira parte das investigações, que deveriam ter sido encerradas no dia 8 de abril.

Além dos 35 depoimentos prestados pelos investigados à PF nos últimos dois meses,  traz resumos e análises das buscas e apreensões realizadas e laudos periciais dos vídeos gravados pelo ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa.

Ao todo são 23 vídeos examinados pelo Serviço de Perícias do Instituto Nacional de Criminalística (INC) da PF.

Os agentes relacionam, também, quais as diligências necessárias para concluir a investigação e as análises pendentes, que abrangem os HDs apreendidos, perícias em documentos contábeis e nos contratos das empresas investigadas  e perícias nos documentos relativos às quebras de sigilo bancário e fiscal, encaminhados pela Receita Federal e pelo Banco Central.

De posse desses documentos, Raquel  não recebe, não atende o telefone e, não responde e-mails.

Emergirá com um novo parecer, pedidos de novas diligências e, provavelmente, de novas prisões, inaugurando a segunda das investigações.

As últimas provas colhidas abriram uma nova frente de investigação, que pode atingir o ex-governador Joaquim Roriz (PSC), líder nas pesquisas para a sucessão no Distrito Federal.

Os depoimentos de três delegados da Polícia Civil de Brasília levaram as investigações a Roriz e ao ex-vice-governador Paulo Octávio.

O elo entre os dois é o policial aposentado Marcelo Toledo, apontado pela Caixa de Pandora como um dos principais operadores do esquema.

Toledo seria o responsável pela montagem do sistema de arrecadação de propina junto a empresas, desde o governo Roriz (1998-2006) e que foi preservado por Arruda.

Os três delegados ouvidos pelo Ministério Público disseram que Arruda, ainda no cargo de governador, interferiu em operações da Polícia Civil e puniu policiais que investigavam seu governo.

Um dos exemplos dessa interferência aconteceu na Operação Tucunaré, que mostra a ligação de Toledo com um grupo de doleiros num esquema para enviar propinas arrecadadas no governo do DF ao exterior.

O principal doleiro do esquema é Fayed Antoine Traboulsi, já investigado em escândalos de corrupção no governo Roriz.

A outra operação, batizada de Tellus, investigava desvios na Secretaria de Desenvolvimento, comandada na época pelo ex-vice-governador, Paulo Octávio.

Quando Raquel apresentar seu parecer poderá ser avaliada a viabilidade de Brasília seguir sem intervenção federal.