Semana reabre com governo acuado

João Bosco Rabello

28 de abril de 2014 | 11h00

A semana começa com a pauta da CPI da Petrobrás dividindo a cena com as investigações da Polícia Federal,e o desdobramento do caso do deputado André Vargas (PR), que desligou-se do PT para enfrentar o processo de cassação e o ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha, agora na berlinda.

É mais uma rodada que se desenvolvida sem imprevistos, deve representar a continuidade do desgaste do governo, mergulhado numa agenda negativa de difícil reversão, pela sua diversificação. Vai da inflação à corrupção, sem escalas.

A CPI da Petrobrás, a rigor, jamais deveria ter sido objeto de consulta ao Supremo Tribunal Federal (STF). O mérito da liminar da ministra Rosa Weber, baseado no conceito de CPI como instrumento da minoria, era previsível e o recurso à Corte teve apenas o efeito protelatório que orienta as ações do governo em quase tudo na reta final do mandato de Dilma Rousseff.

É verdade que a iniciativa de ir ao STF foi da oposição, mas levada pelo impasse criado pelo governo no Senado com a proposta de uma CPI Combo, que incluísse investigações sem conexão entre si. Agora, o governo vai tentar ganhar mais tempo ainda, provavelmente esticando as indicações dos integrantes da CPI e recorrendo ao plenário do Supremo.

Mais que a CPI, as investigações que já a legitimam sem qualquer esforço da oposição, é que causam estragos diários ao governo. Não procede, portanto, a queixa do ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha, de que seu nome aparece como estratégia eleitoreira da oposição.

Padilha surge na mesma cena do doleiro Alberto Yousseff por uma mensagem de André Vargas informando que Marcus Cezar Ferreira da Silva, ex-assessor do ministro, ocupa a diretoria institucional do laboratório de fachada, Labogen, por indicação deste.

Que lá ganha R$ 25 mil, acrescenta a Polícia Federal, para a qual Ferreira é lobista de Yousseff, que estava para fechar um contrato de R$ 30 milhões com o ministério da Saúde, o que só não ocorreu por causa da denúncia. O que a oposição teve a ver com isso, não se sabe.

O governo que estabeleceu como estratégia para esse resto de mandato impedir que as coisas aconteçam antes das eleições, enfrenta uma série de dificuldades políticas com potencial para agravar o declínio da presidente Dilma nas pesquisas de aprovação pessoal e de governo.

Os casos políticos que se desenvolvem à margem da batalha pela CPI  – André Vargas, Cândido Vacarezza (PT-SP), Vicente Cândido (PT-SP), Sérgio Gabrielli (ex-presidente da Petrobrás), Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobrás, preso, Alexandre Padilha, ex-ministro da Saúde, giram, todos, em torno de Alberto Yousseff.

O doleiro está presente no ambiente petista com a desenvoltura de quem opera alinhado ao esquema de captação de financiamento eleitoral, provável razão para tanto empenho em evitar a qualquer custo a CPI da Petrobrás. Essa é a desconfiança da Polícia Federal, cuja atuação faz da estratégia anti-CPI do governo uma ação de enxugar gelo.