Sem limites

João Bosco Rabello

08 de dezembro de 2009 | 08h00

A movimentação do governador José Roberto Arruda para permanecer no cargo, a despeito do que já se viu sobre ele e seu governo nas fitas do panetonegate, vai se transformando numa agressão ao cidadão maior do que a já produzida pelas imagens que o presidente Lula diz que não “falam por si só”.

Secretários de governo maculados pelo escândalo, sabidamente beneficiários de  esquemas pouco ortodoxos, se demitem para reassumir os mandatos na Câmara Distrital e somar na base aliada do governador. É o caso da deputada Eliana Pedrosa (DEM), convocada a resgatar a promissória que deve a Arruda:  as empresas de seu filho e de uma irmã têm contratos com o governo. Não por acaso, doaram para o caixa dois da campanha do atual governador.

E assim vai girando a roda, num peculiar finaciamento público de campanha:  a empresa doadora assina contrato com o governo eleito e se ressarce da doação com os rendimentos do contrato. Alguns sem licitação e superfaturados. A Dinâmica, empresa da irmã da deputada, faturou R$ 67 milhões, de 2007 para cá. A de seu filho, a Esparta, doou R$ 50 mil, segundo lista em poder do Ministério Público, e fechou , em seguida, contrato emergencial, sem licitação, cuja primeira nota emitida foi de R$ 4,8 milhões, em outubro.

Pois é Eliana Pedrosa, que  declara ignorar os negócios de família,  que retoma o mandato com o objetivo de assumir a Comissão de Constituição e Justiça, estratégica para o momento em que se discutirá o impeachment de Arruda.

Outro aliado, Paulo Roriz, deixa a secretaria de Habitação, igualmente comprometida com as fitas de vídeo. Reassume o mandato na Câmara e se junta a Eliana para liderar a tropa de choque contra o impeachment. E ainda se cogita de Eliana disputar a presidência da Câmara, conandando o processo de votação, se o licenciado Leonardo Prudente (o das meias) renunciar.

Como se vê,  nada é capaz de abalar a naturalidade e a desenvoltura de um grupo de políticos alojado nos poderes Executivo e Legislativo com a única finalidade de fazer negócios. Qualquer negócio.

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