Se sair do ministério destino de Ideli deverá ser o TCU

João Bosco Rabello

14 de março de 2014 | 07h11

Se não constar de nenhuma das movimentações produzidas pela reforma ministerial – chegou a ser cotada para a Secretaria de Direitos Humanos ou da Mulher -, a ministra da Articulação, Ideli Salvati deverá ter a sua indicação para o Tribunal de Contas da União (TCU) confirmada pela presidente Dilma Rousseff.

O ciclo de Ideli na esfera política do governo parece ter se esgotado com as mudanças determinadas pela campanha , que levaram à Casa Civil o ministro da Educação, Aloísio Mercadante (PT). É notória a duplicidade na operação desde sua chegada à Casa Civil em substituição à senador Gleisi Hoffmann, que concorrerá ao governo do Paraná.

Ideli não logrou o apoio do PT à sua recondução ao Senado por Santa Catarina e a sua dedicação na função de coordenadora política, embora muito contestada no Congresso, é reconhecida pela presidente Dilma Rousseff.

De resto, pelos primeiros dias de Mercadante no posto, é possível confirmar o que já se sabia: a intransigência nas negociações, que estigmatizou Ideli, é reflexo da orientação presidencial. Já com menos visibilidade no cenário, Ideli não pode mais ser a dona dos pecados oficiais.

A base aliada está em chamas e o incêndio é atribuído à rigidez da presidente pela maioria dos parlamentares. Mesmo os que não integram o bloco rebelde concordam com a avaliação de que falta ao Planalto jogo de cintura para evitar o clima de conflito.

Ideli se sente esgotada, embora não vocalize o estresse causado pela função, jamais exercida com tão pouca autonomia no País. Para muitos, sem nenhuma autonomia, o que a desgastou como interlocutora do governo junto ao Congresso, independentemente da avaliação que se possa fazer de seu potencial negociador.