Sarney lamenta violência nos presídios

João Bosco Rabello

30 Dezembro 2013 | 15h33

Do ex-presidente da República e do Senado, José Sarney (PMDB-AP), recebi correspondência em que contesta a interpretação de declaração sua a respeito das denúncias relativas ao presídio de Pedrinhas, no Maranhão, amplamente divulgadas na última semana.

Como se sabe, documento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) relata gravíssimos casos de desrespeito aos direitos humanos naquela Casa de Detenção – desde violência física em proporções  dramáticas até abusos sexuais contra famílias de detentos submetidos ao comando do crime na cadeia.

Na coluna dominical no jornal O Estado de S.Paulo,   abordei o caso sob a ótica da reação do senador em entrevista a emissora de rádio local, lamentando o reducionismo que o levou a valorizar o fato de a violência do presídio não ter chegado às ruas.

Em sua correspondência, Sarney afirma ter dito mais que isso e lamentado que ainda se registrem episódios do gênero no atual estágio da humanidade. Como me ative a trecho parcial da entrevista – ainda que o mais significativo -, reproduzo aqui a resposta do senador.

Prezado João Bosco

 Com o grande respeito que sempre tive a você, tomo a liberdade de esclarecer-lhe que jamais justifiquei as cruéis e  hediondas mortes ocorridas no Presídio de Pedrinhas no Maranhão, pelo fato de terem sido restritas àquela Casa de Detenção, mas ao contrário manifestei minha revolta e condenação pela humanidade ainda ser capaz de procedimento tão cruel.

Limitei-me a dar uma noticia transmitida por fonte do comando policial, de que esse confronto de quadrilhas, pela ação do serviço de inteligência da PM e outras medidas,teve outras ações abortadas, que representariam o desdobramento da violência ,como ocorreu em outros estados, fora das prisões.

Minha vida toda tem sido de uma conduta pacifista, contra a violência,como provam os discursos que proferi no Congresso sobre o tema, o último deles, longo e detalhado, mostrando minha indignação por ser o Brasil o primeiro País do mundo em número de homicídios.

Com meu abraço,
José Sarney