Saída de Lindbergh é remota

João Bosco Rabello

23 Janeiro 2014 | 07h00

O governador do Rio, Sérgio Cabral, chegou em quem evitou responsabilizar pela liberação da candidatura do senador Lindbergh Farias (PT) à sua sucessão: o ex-presidente Lula, a quem apela agora para que reverta um quadro irreversível. Desde sempre, ou melhor desde que decidiu avançar com a CPI do Cachoeira, ciente de sua vinculação inevitável com a empreiteira Delta, Lula sabia dos danos que causaria a Cabral.

Não hesitou, ainda assim, em dar vazão à sua sede de vingança contra o governador de Goiás, Marconi Perillo, afinal frustrada com a predominância do caso Delta na comissão. Vieram as fotos de Cabral, o dono da Delta, Fernando Cavendish, e executivos festejando em Paris, e com ela o início do declínio do prestígio do governador do Rio.

Lula sabe, desde as manifestações de junho, auge do declínio de Cabral, que seria impossível obstruir a candidatura de Lindbergh. Trata-se de uma equação política clássica: não se corre o risco de uma aliança com potencial de derrota. Lindbergh pode não ter os melhores índices, mas não tem os piores, como Cabral agora.

Mesmo admitindo-se a teoria do PMDB, de que o vice de Cabral e candidato do partido à sua sucessão, Luis Fernando Pezão, não está contaminado pela avaliação popular negativa de seu mentor, as chances de vitória diminuíam muito. O que antes era certeza, hoje é uma possibilidade remota, condicionada a dezenas de variáveis.

Cabral é um caso raro de um governador bem sucedido que distraiu-se no curso de um governo de resultados positivos. Seu programa de pacificação das favelas foi uma espécie de Plano Real da segurança pública do Rio – uma ação que combinou eficiência de gestão com efeito popular. Jogou fora, por desatenção aos simbolismos da política – que tanto consagram quanto derrubam seus personagens.

A menos que o imponderável resolva aparecer no caminho de Lindbergh, ou o efeito retardado de um malfeito o atropele, sua candidatura parece irreversível.