Rompimento PT/PMDB fragiliza votação de Dilma no Rio

João Bosco Rabello

28 Janeiro 2014 | 18h00

O desfecho do conflito da aliança PT/PMDB no Rio, com a saída do primeiro da estrutura de governo, não se estende, em princípio, à aliança nacional pela reeleição de Dilma Rousseff. Mas estabelece, desde já, uma ruptura nas eleições do Estado, com efeitos na presidencial, de intensidade variável, proporcional ao vigor da presidente na campanha.

O PMDB se envolverá na campanha estadual em oposição ao PT e, dada à força e capilaridade de sua estrutura partidária no Rio de Janeiro, mesmo o desgaste do governador Sérgio Cabral poderá ser superado com sua saída de cena e a visibilidade de seu candidato quando ocupar a cadeira no Palácio Guanabara.

Isso significa que o PMDB não se preocupará com os efeitos da campanha carioca na presidencial. No Rio, a ordem será jogar para vencer, o que poderá arrefecer o empenho do partido no Estado para que Dilma saia com uma votação expressiva – pelo menos próxima daquela obtida no primeiro mandato com apoio dedicado do governador que agora vai para a planície.

Não será tarefa fácil, para não dizer impossível. Repetir a votação dos tempos áureos nas pesquisas depois do desgaste dos governos federal e estadual, acrescido do rompimento da aliança no plano estadual, surge otimista demais. O rompimento com o PT, porém, pode agravar os efeitos já consolidados do declínio de Dilma e de Cabral em relação a 2010.

Sem entrar no mérito da disputa que levou ao rompimento – afinal, o PMDB quer o terceiro mandato -, o fato é que Dilma poderá não sr alvo mais do apoio engajado do partido, o que favorecerá a dupla Aécio Neves/Eduardo Campos, esse último sobretudo, dada a boa votação de Marina Silva no Estado.

O senador Lindbergh Farias, candidato do PT, por sua vez, ajuda a tarefa da oposição no plano nacional, pois ainda não exibiu sinais do vigor eleitoral desejável e necessário para se impor como favorito, apesar da rejeição alta de Cabral.