Reeleito, Carlos Lupi definirá rumos do PDT em 2014

Andrea Vianna

22 de março de 2013 | 17h04

O ex-ministro do Trabalho Carlos Lupi foi reconduzido na manhã de hoje para o seu quinto biênio na presidência do PDT. Lupi completou oito anos no comando do partido, tendo sido eleito pela primeira vez em 2005. Embora tenha sido reeleito por aclamação da maioria absoluta dos convencionais – era representante da chapa única -, ele terá de lidar com a divergência interna.

O fato é que Lupi sai fortalecido. A eleição de hoje contabiliza para ele duas vitórias consecutivas em uma semana. No último sábado, ele havia retomado o controle do Ministério do Trabalho, com a demissão de Brizola Neto e a posse do secretário-geral do PDT, Manoel Dias – nome indicado por ele para o cargo. Lupi comandou a pasta do Trabalho até dezembro de 2011, quando foi afastado por denúncias de corrupção.

Cinco meses depois, a presidente Dilma Rousseff nomeou Brizola Neto – do grupo de oposição a Lupi – para o cargo, deflagrando uma onda de insatisfação no partido por parte do grupo majoritário, alinhado a Lupi. “O PDT não faz parte do ministério. O PDT tem uma pessoa que é filiada ao partido que está no ministério, mas não foi indicada por nós”, disse o líder da bancada na Câmara, André Figueiredo (CE), há cerca de um mês.

A insatisfação na ala majoritária do PDT afastou o partido do governo. Nos bastidores, Carlos Lupi abriu negociações com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que prepara a candidatura presidencial pelo PSB. Nesse cenário, Dilma cedeu e substituiu Brizola Neto. Mas no discurso de hoje, Lupi não garantiu apoio do PDT à reeleição de Dilma Rousseff em 2014.

O presidente reeleito do PDT mostrou hoje que tem o controle da legenda e decidirá o seu destino em 2014, optando ou não pela continuidade da aliança com o PT. Isso porque não foi a retomada do ministério que garantiu a recondução de Lupi ao cargo. Ele já tinha o controle do partido e disputou em chapa única.

O grupo adversário, encabeçado pelo ex-governador do Rio Grande do Sul Alceu Collares, e pela irmã de Brizola Neto, a deputada estadual Juliana Brizola (RS), representa uma ala minoritária do PDT, mesmo envergando o nome do fundador da sigla, o ex-governador Leonel Brizola. Este grupo tentou lançar uma chapa para disputar com Lupi, mas não obteve as assinaturas mínimas necessárias para concorrer na convenção.

Ontem, os dissidentes tentaram uma liminar na Justiça Federal em Brasília para suspender a convenção e postergar a reeleição de Lupi, mas o apelo foi negado. Com a negativa judicial, Alceu Collares compareceu à convenção para discursar em prol da conciliação interna do PDT. Era o único aliado de Brizola Neto presente no encontro.

O ex-líder da bancada federal Miro Teixeira (PDT-RJ) diz que o desafio de Lupi, agora, será buscar a convergência, dando ouvidos aos divergentes e promovendo a pacificação da sigla. “Ele terá de ser generoso, pedir a colaboração dos divergentes e buscar a paz. Há muito trabalho pela frente”, diz Teixeira. “Se optar pelo caminho da retaliação, será péssimo para o partido”.

“Não podemos deixar que ofensas pessoais e agressões sejam maiores que a história do nosso partido”, disse Lupi na convenção. No entanto, a nova Executiva Nacional, eleita hoje, excluiu de seus quadros o ex-ministro Brizola Neto, que despontava como 2o vice-presidente da legenda. Em seu lugar, entrou Miguelina Vecchio, do grupo alinhado a Lupi.