Redução de danos

Redução de danos

João Bosco Rabello

14 de dezembro de 2009 | 19h18

E  José Roberto Arruda vai cimentando sua estratégia de permanência até o fim do mandato atual. Enquanto dissemina a tese de que ruim com ele, pior sem ele, deu início às benesses. Acaba de assinar a liberação de R$ 193 milhões pela antecipação dos salários dos 45 mil servidores do GDF, que serão pagos dia 18.

Governador tenta blindar as suas próprias falcatruas e libera a conta-gotas as irregularidades que sabe ocorrerem em setores do seu governo e cujos autores conhece. Foto: Sérgio Dutti/AE

Governador tenta blindar as suas próprias falcatruas e libera a conta-gotas as irregularidades que sabe ocorrerem em setores do seu governo e cujos autores conhece. Mas só o faz agora, por absoluta conveniência. Foto: Sérgio Dutti/AE

Na canetada seguinte, autorizou mais R$ 55 milhões para gratificação da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, incluindo atrasados, tudo numa só parcela. Só a Polícia Civil ainda não teve seu plano de reestruturação encaminhado para o Governo Federal, razão da greve que paralisou seus serviços. Porque ela é considerada “polícia de Roriz”, numa afronta generalizada à categoria.

Arruda tem municiado a mídia local com informações sobre o presidente licenciado da Câmara Distrital, Leonardo Prudente, que tornou-se uma pedra no seu sapato desde que decidiu resistir à pressão pela sua renúncia. O que rejeita para si, o governador tenta impor ao imprudente Prudente. O motivo não é nobre: ele precisa que Prudente se afaste para viabilizar a eleição da deputada Eliana Pedrosa, sua aliada, para a presidência da Câmara Distrital, de onde comandaria o processo de impeachment, a seu favor. O argumento para impor a renúncia a Prudente? Ah, corrupção, é claro!

É incrível, mas o governador, que tenta blindar as suas próprias falcatruas, libera a conta-gotas as irregularidades que sabe ocorrerem em setores do seu governo e cujos autores conhece. Mas só o faz agora, por absoluta conveniência.  Assim, o contribuinte descobre os tentáculos do presidente da Câmara Distrital nos demais órgãos de governo, como o Detran,  onde comanda o sistema de licitações.  Mas o governador nunca soube disso?

O tempo sempre foi um aliado do político que sabe usá-lo. Geralmente, é empregado para esfriar crises, abrir espaço a debates mais serenos.  No presente caso, é elemento estratégico para consolidar uma política de redução de danos que Arruda aplica a seu próprio governo, nas barbas de todo mundo: Governo Federal Judiciário e população.

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