Receita repete comportamento da CEF no caso da quebra de sigilo de Francenildo Costa

Receita repete comportamento da CEF no caso da quebra de sigilo de Francenildo Costa

João Bosco Rabello

14 Julho 2010 | 18h05

palocci

Foto: Renato Araújo/ABr

A quebra de sigilo do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, pela Receita Federal, começa a ficar parecida com o caso do caseiro Francenildo Costa  que levou à queda do então ministro da Fazenda, Antonio Palocci.

O depoimento do secretário da Receita Federal, Otacílio Cartaxo, ao Senado, é uma confissão de culpa e incompetência: ele reconhece a quebra do sigilo, diz que seus autores estão identificados, mas não pode revelar seus nomes porque estão protegidos pelo… sigilo funcional.

“Sei o nome deles, onde estão lotados, o dia, a hora e a máquina que utilizaram, entretanto os dados estão protegidos pelo sigilo,” disse aos senadores sem qualquer rubor nas faces.

Então, fica combinado assim: o cidadão tem seu sigilo quebrado, mas o Estado não pode revelar o criminoso por uma questão de sigilo.

Mais grave é o secretário Cartaxo aparecer no Congresso 20 dias depois de descoberta a quebra de sigilo para dizer isso com a maior desfaçatez.

Não quis revelar os nomes dos responsáveis por ato tão grave nem mesmo em sessão fechada. E mais: também não disse se o acesso às contas de Eduardo Jorge teve alguma motivação legal.

A evidente estratégia de cozinhar o assunto em banho-maria esconde provavelmente a construção de uma versão inverossímil que, digerida ou não, será a pá de cal sobre o episódio.

Os 20 dias não foram suficientes para que se elaborasse tal versão, então a vida segue com negativas diárias de conspiração, até que se possa dizer alguma coisa, apenas para registrar a ata de um teatro.

Exatamente como ocorreu com Palocci, depois absolvido, restando como condenado o ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso, que sequer foi enquadrado por improbidade administrativa – o que lhe imporia uma quarentena mínima de quatro anos.

Palocci está de volta, Mattoso poderá aceitar qualquer convite para nova função pública, Francenildo continua desempregado, Luiz Lanzetta e sua empresa – Lanza – foram demitidos pelo partido e nunca houve dossiê produzido na campanha do PT.

Ah sim, não vamos esquecer: a imprensa inventou tudo isso, claro.