Racha em SC pode levar Bornhausen ao PSB

João Bosco Rabello

19 de maio de 2013 | 22h00

Jorge Bornhausen, ex-governador de Santa Catarina – Foto: André Dusek

Em passagem por Joinville na última quarta-feira, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, convidou o ex-governador de Santa Catarina Jorge Borhnausen a ingressar no PSB.

Ex-presidente do DEM e fundador do PSD, Bornhausen não esconde o desconforto dentro do partido desde que a principal liderança da sigla no Estado, o governador Raimundo Colombo, intensificou as articulações para compor com PT e PMDB e apoiar a reeleição da presidente Dilma Rousseff.

Este palanque isola Borhnausen. Político egresso da Arena, da Frente Liberal, ex-presidente do DEM e, finalmente, fundador do PSD, a sua trajetória e seus ideiais não admitem que ele divida o palanque com o PT. Tampouco que se filie a um partido que carrega o socialismo no nome.

Colombo aproximou-se de Dilma em meio a uma estratégia que vem sendo costurada há meses pelo senador Luiz Henrique (PMDB) e pela ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti (PT). A injeção bilionária de recursos federais – como linhas de crédito do BNDES e socorro para as enchentes – estreitou os laços do Estado com o governo federal.

Essa articulação recaiu sobre Bornhausen como uma traição. Nos últimos anos, Borhnausen e Luiz Henrique firmaram-se como as maiores forças políticas no Estado e se alinharam, revezando-se no poder local. Em 2006, Borhnausen apoiou a reeleição do peemedebista ao governo, e a eleição de Colombo, então no DEM, para o Senado.

Em 2010, ambos se uniram para fazer de Colombo o sucessor de Luiz Henrique.

Nas campanhas presidenciais, a dupla garantiu o palanque – e a vitória – de José Serra e Geraldo Alckmin em Santa Catarina. Finalmente, em 2010, Borhausen comandou a fundação do PSD no Estado e trouxe o governador Raimundo Colombo para a sigla de Gilberto Kassab.

Agora, entretanto, na esteira da alta popularidade de Dilma, Henrique e Colombo costuram a tríplice aliança PSD, PT e PMDB.

Mas nem Borhnausen nem o PT querem aparecer no mesmo palanque. Há mágoas indeléveis. Em 2006, ele protagonizou um dos embates mais duros com o partido de Dilma na história política recente. Na campanha à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva e no auge do mensalão, Bornhausen propôs: “vamos acabar com essa raça”.

A frase está na memória dos petistas até hoje. “Estávamos em pleno reino do mensalão, na maior corrupção ética da história política”, justificou em uma entrevista ao Estado. Mais tarde, em resposta a Borhnausen, o ex-presidente Lula prometeu que o DEM seria extinto.

Nesse cenário, o ex-presidente do DEM aparece isolado em Santa Catarina. O isolamento aumenta quando se verifica que a maioria dos diretórios do PSD prefere marchar com o governo federal. O PSD é um partido híbrido, formado em sua maioria por oposicionistas insatisfeitos com os rumos do DEM.

Em contrapartida, aderir ao governo não eram exatamente os planos de todos os que migraram para o projeto de Gilberto Kassab, presidente nacional da legenda.

Bornhausen não descarta o apoio a Eduardo Campos. São amigos e dividem a amizade com Kassab. Campos, inclusive, é um dos mentores intelectuais do PSD e ajudou a fundar o partido no Nordeste. No início, aliás, cogitava-se até a fusão da legenda com o PSB.

Descartada a adesão ao socialismo, o ex-presidente do DEM pode apoiar Eduardo Campos como dissidente, louvando suas bandeiras na área econômica, em que o pernambucano vem fazendo forte oposição ao governo Dilma.

Bornhausen seria um dissidente, assim como Luiz Henrique, que dentro do PMDB, sempre marchou com a oposição em Santa Catarina.

Em outra frente, Borhausen aguarda os movimentos do PSDB, que pode lançar o tucano Paulo Bauer ao governo, para garantir um palanque para Aécio Neves.