PTB no governo já tem a digital de Mercadante

João Bosco Rabello

06 Junho 2013 | 12h01

As negociações para que o PTB tenha assento no governo Dilma Rousseff já  têm as digitais do ministro da Educação, Aloísio Mercadante, que passou a reforçar a articulação política do governo, formalmente exercida pela dupla de ministras Ideli Salvatti, titular do cargo, e Gleisi Hoffmann, da Casa Civil.

Mercadante, que vem auxiliando na articulação com o Congresso e com os partidos da base,  é apontado como futuro coordenador da campanha à reeleição de Dilma e poderá assumir a Casa Civil, quando Gleisi se afastar, ano que vem, para se candidatar ao governo do Paraná.

Após meses de negociação, ficou decidido que o presidente em exercício do PTB, Benito Gama, vai assumir a vice-presidência de governo do Banco do Brasil, antes ocupada pelo atual ministro dos Transportes, César Borges.

Com isso, o PTB formaliza o apoio ao governo Dilma que, teoricamente, afasta o risco da aliança trabalhista com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB). O partido cobiçava um ministério, mas ficou acordado que a sigla poderá ganhar uma pasta somente em eventual segundo mandato da petista.

A negociação deve garantiio ainda a Dilma o tempo de televisão do partido para a campanha petista em 2014. Em 2010, esse espaço foi do PSDB, que o utilizou para a campanha derrotada de José Serra à presidência.

Minirreforma

A articulação remonta ao começo do ano, na esteira da minirreforma ministerial que foi conduzida por Mercadante. A minirreforma restituiu o Ministério dos Transportes ao PR, com a nomeação do ex-senador César Borges (BA) para a pasta, e o controle do Ministério do Trabalho à cúpula do PDT, encabeçada pelo ex-ministro Carlos Lupi. Nesse pacote, só estava pendente o PTB.

A nomeação de Gama para o Banco do Brasil tem o aval do presidente afastado do PTB, Roberto Jefferson, que ainda detém o controle do partido. Condenado ao lado dos petistas no julgamento do mensalão, Jefferson foi o denunciante do esquema de compra de votos no governo Lula.

Em conversas reservadas, o petebista diz que o assento no governo não garante o apoio da sigla à reeleição de Dilma. Paralelamente, ele também conversa com Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), potenciais rivais de Dilma.

Collor e Benito

O PTB tem uma bancada de 22 deputados e seis senadores e já votava com o governo nas matérias de seu interesse no Congresso. Benito Gama foi deputado federal pela Bahia e presidiu a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que levou ao impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello. Hoje,  Gama está na cúpula do partido que abriga o senador Fernando Collor.

Perfil político

A vaga que Benito Gama vai assumir no Banco do Brasil vem servindo de rodízio para acomodar políticos aliados ao governo. O antecessor do petebista era o ex-senador César Borges, que ocupava o cargo por indicação do PR. O cargo ficou vago quando ele assumiu o Ministério dos Transportes em abril. Outro titular do cargo foi o ex-senador Maguito Vilela (GO), que ocupou a vaga por indicação do PMDB.