PT tenta atrair PSD no Paraná, mas Sciarra busca candidatura própria

Andrea Vianna

28 de maio de 2013 | 09h52

Eduardo Sciarra, líder do PSD na Câmara

O PT trabalha para atrair o PSD para a chapa majoritária no Paraná, encabeçada pela ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann – principal auxiliar da presidente Dilma Rousseff. O alvo da cobiça é o presidente do PSD no Estado e líder da bancada, deputado Eduardo Sciarra, que uma ala petista deseja para a vaga de vice. Mas Sciarra afirma que não foi convidado para a chapa e ressalta que trabalha pela candidatura própria do PSD ao governo.

O PT está isolado no Paraná e busca um aliado de peso para compor a chapa de Gleisi. Lideranças do PMDB local dizem que não há chances de reedição da aliança de 2010, que uniu o partido ao PT e PDT na chapa majoritária. Pelo menos 70% dos diretórios municipais do PMDB defendem a candidatura própria ao governo em 2014. Os mais cotados são os ex-governadores Roberto Requião e Orlando Pessuti. Além disso, aliados tradicionais do PT como PSB e PSC estão com o governador Beto Richa, do PSDB.

É nesse cenário de hegemonia tucana e distanciamento do PMDB que o PT busca a sigla de Gilberto Kassab, a fim de se aproximar do eleitorado conservador – que rejeita a sigla de Gleisi – e ampliar o tempo de televisão.

“Time dos sonhos”

Os rumores sobre Sciarra integrar a chapa de Gleisi Hoffmann aumentaram depois que ele se aproximou da ministra em meio à crise sobre demarcação de terras indígenas. No episodio do Paraná, Sciarra foi uma das vozes ouvidas com atenção pela ministra. Dilma havia pedido à Gleisi que a Casa Civil analisasse a situação. A decisão da ministra foi acionar o Ministério da Justiça para que suspendesse estudos da Fundação Nacional do Índio (Funai) para criação de reservas em áreas de conflitos no Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul.

Essa empatia mútua levou o vice-presidente da Câmara, André Vargas (PT-PR), a incluir Sciarra no “time dos sonhos” dos petistas no Paraná. Vargas declarou no mês passado que a chapa ideal seria encabeçada por Gleisi, com Sciarra como candidato a vice-governador e o ex-senador Osmar Dias (PDT) na corrida ao Senado.

Candidatura própria

Contudo, Eduardo Sciarra empenha-se em outra direção: lançar candidato próprio do PSD ao governo.

Egresso do PFL e do DEM, Sciarra integra a ala oposicionista do PSD, que rejeita a aliança com o PT. Até agora, 12 diretórios estaduais do PSD já manifestaram apoio à reeleição de Dilma Rousseff – entre eles, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Alagoas, Bahia e Ceará.

No Paraná, entretanto, uma corrente defende o apoio à reeleição do governador Beto Richa. Este também busca o apoio do PSD à sua reeleição. Para isso, indicou o deputado Reinhold Stephanes (PSD) para a chefia da Casa Civil.

Em outra frente, Sciarra percorre o Estado para construir uma candidatura própria. O nome mais cotado é o do empresário Joel Malucelli, fundador da holding que leva o seu nome. Um conglomerado de empresas nas áreas de construção civil, comunicação social, finanças e energia. Em 2010, a construtora JMalucelli doou R$ 500 mil para a campanha do então senador Osmar Dias (PDT) ao governo. Em aliança com o PT, Dias tinha Gleisi Hoffmann candidata ao Senado em sua chapa.

 

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: