PT promove a anistia política antes do processo judicial

João Bosco Rabello

19 de junho de 2011 | 13h36

Denunciado pelos próprios assentados, José Rainha acabou por ter seu crime de desvio de dinheiro público destinado à reforma agrária,  apurado e confirmado pela Polícia Federal. Por isso, está preso.

Não é a primeira vez e a acusação é baseada em provas técnicas. É surpreendente, pois, que o ministro Gilberto Carvalho, Secretário-Geral da Presidência da República, advogue sua inocência antes mesmo de uma decisão judicial definitiva.

De 1997 para cá, Rainha já esteve preso sob acusação de assassinato, porte ilegal de arma, formação de quadrilha, incitação à violência, incêndio e furto. No total, cinco prisões, mais a efetuada nos últimos dias.

Expulso do Movimento dos Sem Terra (MST), formou uma dissidência – o MST de Base. Agora, por desvio de dinheiro.

Por estar na ante-sala da presidente Dilma Rousseff, a defesa de Carvalho se confunde com a de governo, algo que precisa de imediato esclarecimento: por quem fala o ministro?

O conteúdo da defesa também é questionável por se tratar de uma admoestação às instâncias policial e judicial: “A Lei assegura aos acusados o direito de defesa e os preserva de condenações açodadas, antes do devido processo legal”.

Por mais que diga que não pretendeu se imiscuir no processo de investigação, foi exatamente isso que fez o ministro. O açodamento, no caso, foi seu, dado que não há qualquer evidência de negação dos direitos de Rainha.

O fato remete a outro, o do prefeito de Campinas, Dr. Hélio (PDT) que, sob investigação do Ministério Público Estadual, elegeu públicamente seus advogados: o ex-presidente Lula  e o ex-ministro José Dirceu.

Assim como o PT cuida de anistiar suas lideranças políticas arroladas no processo do mensalão. Trata-se de um novo mecanismo, o da absolvição política, a preceder o processo judicial, numa tentativa de influir no curso dos julgamentos.

É de se perguntar, onde está o açodamento.

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