PT e PMDB tentam transformar convocação de Ideli em convite

João Bosco Rabello

11 de abril de 2012 | 18h26

Lideranças do PT e do PMDB tentam transformar a convocação da ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara em convite, a fim de amenizar o desgaste político. Ideli enfrenta denúncias relacionadas à sua gestão no Ministério da Pesca.

Ainda como resquícios da substituição de Candido Vacarezza (PT-SP) por Arlindo Chinaglia (PT-SP), deputados ouvidos pelo blog tentam imputar a convocação a uma alegada incompetência do novo líder do governo na Câmara. Chinaglia assumiu o cargo há um mês, em meio a uma atribulada mudança de comando nas duas Casas.

O fato é que Ideli terá de comparecer à Câmara, convocada ou não, a fim de explicar as denúncias feitas pelo Estado sobre desvios no Ministério da Pesca.

O Estado revelou que a pasta comprou 28 lanchas-patrulha por R$ 31 milhões, mesmo sem atribuição para fiscalizar a pesca ilegal. Parte da conta, R$ 5,2 milhões, foi paga na gestão de Ideli. O Estado também revelou que o dono da Intech Boating, fabricante das lanchas, doou, a pedido do ministério, R$ 150 mil ao comitê financeiro do PT-SC, que bancou 80% da campanha de Ideli ao governo de Santa Catarina.

Para transformar a convocação em convite, a comissão terá de votar – e aprovar – um novo requerimento nesse sentido. Os líderes do PT, Jilmar Tatto (SP), e do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), tentam construir um acordo para que essa votação ocorra na semana que vem. Por meio de um convite, o comparecimento da ministra ao Congresso se daria de forma espontânea, e não compulsória. “É deselegante ela vir assim”, diz Tatto. “Ela não se recusa a vir, mas não precisa ser nesses termos”, argumenta.

Deputados da base, insatisfeitos com a demora na execução das emendas de parlamentares, votaram contra o governo. Mas um dos líderes governistas ouvidos pelo blog atribui ao “excesso de autonomia” de Chinaglia a convocação de Ideli. Segundo ele, Vaccarezza não hesitaria em pedir ajuda para garantir o quorum nas comissões e impedir a aprovação de requerimentos da oposição. “Vaccarezza teria telefonado logo cedo pedindo ajuda”, compara. O requerimento de convocação de Ideli constava da pauta da comissão, divulgada na véspera.

O vice-líder do governo, Odair Cunha (PT-SP), que representava Chinaglia na comissão, tentou reforçar o quorum na última hora, mas não conseguiu. Dos 8 votos necessários para convocar a ministra, 5 vieram da própria base aliada. Os deputados Aline Corrêa (SP) e Carlos Magno (RO), do PP, Paulo Feijó (RJ), Wellington Roberto (PB), do PR, e Hugo Motta (PB), do PMDB, votaram a favor da convocação de Ideli.

Meia hora antes, o líder do PMDB, Henrique Alves, interveio para evitar a convocação de mais um ministro, Alexandre Padilha, da Saúde. Henrique convenceu o deputado Nelson Bornier (PMDB-RJ), a retirar o requerimento de pauta. Em troca, transmitiu o recado de que Padilha comparecerá à comissão no dia 8 de maio. A comissão quer ouvi-lo sobre as denúncias de desvio de recursos públicos em hospitais públicos do Rio de Janeiro.

 

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