PT e Lula divergem sobre ataque a Serra. Ambos têm razão

João Bosco Rabello

23 de outubro de 2010 | 15h25

As repercussões negativas da agressão de militantes ao candidato José Serra, no Rio, e da reação do presidente Lula ao episódio, centralizaram as preocupações do PT nas últimas 48 horas.

Desde a comprovação pelo Jornal Nacional, da TV Globo, de que o candidato do PSDB foi efetivamente atingido na cabeça por um artefato com poder de causar ferimento, caiu por terra a versão jocosa que Lula  assumiu publicamente para atacar Serra.

O mau humor do presidente durante todo o dia de ontem é resultado das críticas de parte do PT e da campanha às suas declarações contra o candidato do PSDB.

Alheio à impropriedade da declaração pelo cargo máximo que ocupa, e do mau gosto e deselegância de acusar o adversário de farsante, Lula se sentiu injustiçado pelo partido.

Ele achou que ajudava a sua candidata por ter comprado como verdadeira a versão que lhe foi trazida pelo PT com base na edição do jornal do SBT. Falou com aquela certeza que sua experiência política deveria reservar a casos comprovados, mas sentiu-se depois vítima de um erro de informação.

O partido, por sua vez, considerou que independentemente da versão que lhe chegou, Lula deveria ter observado os cuidados que o cargo exige e, pela primeira vez na campanha, ter invertido os papéis, virando o boneco e não o ventríloquo da candidata. Nobal, teve  entanto, produziu uma segunda agressão ao candidato adversário que, embora verbal, teve muito mais peso e repercussão do que a física, no Rio.

Dilma repudiara a violência e estava de bom tamanho para a campanha. No episódio, ambos têm razão – Lula e o partido. Ambos fizeram tudo errado: a questão não é a consistência do que foi atirado em Serra, mas a operação de guerra armada para impedir que o candidato do PSDB fizesse sua campanha.

Passada a ressaca, o presidente do PT, José Eduardo Dutra, telefonou para 16 presidentes de diretórios estaduais, com orientação enfática para controlar os militantes. A calma solicitada por Dutra tem sentido exclusivamente pragmático: ele teme que novos embates de rua ofusquem as manifestações pró-Dilma que o partido programa em todo o país para o próximo dia 27, em comemoração ao aniversário de Lula, que também será usado politicamente.

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