PSDB vai à convenção sem acordo

João Bosco Rabello

21 de maio de 2011 | 18h35

Na semana que antecede a convenção nacional (dia 29 próximo), as correntes em disputa pelo comando do PSDB dão por perdidas as chances de um acordo capaz de pacificar o partido.

As últimas manifestações dos  porta-vozes dos ex-governadores de Minas e São Paulo sintetizam o clima: de um lado, os aecistas lembram a frase de Tancredo Neves de que não se faz política sem  vítimas; de outro, surge a ameaça de judicializar o processo, se José Serra for derrotado.  

Materializam a disputa os cargos de presidente, secretário-geral e a direção do Instituto Teotônio Vilela (ITV), este último depositário de porcentual significativo do Fundo Partidário que, em 2011, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estima em R$ 11 milhões para o partido.

Para a corrente do senador mineiro, o comando do ITV permitiria ao rival José Serra transformá-lo numa célula a fortalec er sua candidatura em 2014, projeto que Aécio também tem para si.

Aécio Neves trabalha pela reeleição do deputado Sérgio Guerra à presidência, pela permanência do deputado mineiro Rodrigo de Castro na Secretaria-Geral e pela eleição do ex-senador cearense Tasso Jereissati à presidência do ITV.

O ex-governador de Minas opera obstinadamente as bancadas regionais pela adesão à sua tese de “despaulistização” do partido em favor de uma maior capilaridade nacional que  reduza sua dependência do eleitorado do sudeste.

O que soa como música aos ouvidos das bancadas do norte e nordeste.

Terça-feira passada, uma reunião das bancadas , na qual Minas e São Paulo tiveram apenas um representante cada, deixou claro que o fim da hegemonia paulista é forte aliado do senador mineiro.