PSD: realidade política se impõe a contestações judiciais

João Bosco Rabello

22 de abril de 2011 | 12h53

Não obstante o risco inerente às previsões judiciais, vai parecendo cada vez mais improvável o êxito das ações que visam a impedir a consolidação do novo partido, o PSD, nos tribunais.

É notória a consistência política do movimento iniciado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, deflagrado no contexto de uma crise do sistema político que desenha claramente um rearranjo partidário.

A crise do DEM que lhe deu origem, não responde unicamente pelo veloz e robusto índice de adesões ao PSD.

Como mostram as contas, há gente de todo lado chegando, sob protestos de dirigentes das legendas mais desidratadas, como o próprio DEM e, mais ostensivamente, o PPS.

Impondo-se como realidade política, o partido liderado por Kassab dificilmente terá revés jurídico. No que diz respeito aos dissidentes do DEM, as chances de perda dos mandatos é quase zero.

O prefeito e os ex-demistas têm a materialização da prova de perseguição, que retira de um julgamento sério a dose de subjetividade que geralmente acompanha esses processos de desfiliação partidária.

Sob a presidência do deputado Rodrigo Maia (RJ), o DEM fraudou documento da Executiva Nacional que dava ao Conselho Político a exclusividade para decidir sobre coligações e lançamento de candidaturas em todos os níveis.

Esse foi o ponto de combustão de uma crise que chegou ao auge na campanha presidencial. A fraude retirou da corrente liderada por Jorge Bornhausen, da qual fazia parte o prefeito, o poder exclusivo que respaldou a decisão de apoiar a candidatura Serra, numa coligação com o PSDB, permitindo assim uma parcial cristianização da candidatura oficial.

Como até as pedras sabem, a ala de Maia marchou com o então governador de Minas, Aécio Neves, cuja rivalidade com o ex-governador paulista vem de muito antes da campanha presidencial, nela se tornou mais difícil de administrar e, hoje, é um filme exibido em 3D.

Por mais que recuse a fusão com o PSDB não parece restar ao DEM alternativa. Possivelmente a rejeição à idéia é estratégica, vinculada à conveniência de ganhar tempo para operá-la em melhores condições de tempo e visibilidade.

Por isso, entre os que se declaram contra a idéia há aqueles que têm, dificuldades regionais para a fusão – e, nesses casos, o PMDB é o plano B – e os que a preferem para após as eleições de 2012. Estes defendem um regime de coligação congressual enquanto preparam suas bases para aquilo que parece inevitável.

A oportunidade do lançamento do partido deu a Kassab a dianteira sempre importante no contexto político e deixou aos rivais, embora parceiros, como o governador Geraldo Alckmin, o ônus de gerenciar a crise aberta pela entrada em cena do PSD.

Mesmo o ex-governador José Serra está em dificuldades para situar-se no cenário pós-PSD. Na luta pelo comando do PSDB, tem no ex-presidente Fernando Henrique Cardoso a alternativa para um equilíbrio na disputa, da qual participa sem mandato ou cargo,  em desvantagem com Aécio.

O mineiro é, hoje, quem produz perspectiva de poder dentro do partido ( desde que renove a carteira de habilitação e se submeta aos próximos bafômetros) e que está na iminência de arrastar consigo a dissidência do DEM, o que colocaria o PSDB numericamente próximo a PT e PMDB, restituindo-lhe a força congressual.

Não é um xadrez simples, mas é o que será jogado até 30 de setembro, três dias antes do prazo final para filiações e outras providências legais com vistas às eleições de 2012.

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