PSD costura sua parceria com o Planalto

João Bosco Rabello

29 de agosto de 2011 | 11h37

A ida do PSD ao Planalto teve de mais importante um encontro de repercussão inferior à solenidade que a caracterizou, premeditada pela direção do partido para “fazer barulho”.

O PSD  “subiu a rampa” com pompa intencional para  exibir-se como fato político consolidado, a despeito do processo de judicialização a que tenta submeter seu registro o despeitado DEM, de cuja dissidência nasceu.

Porém, o que sintetiza melhor o avanço do novo partido idealizado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, e desenvolvido por profissionais do ramo, é o encontro de uma de suas estrelas, a senadora Kátia Abreu (TO), com a presidente Dilma Rousseff.

Ao contrário da solenidade de apresentação, o encontro de ambas deu-se de forma discreta e desenvolveu-se como uma reunião de trabalho, de 1h30m, na qual a presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) apresentou estudos objetivos sobre o agronegócio, desde projetos de financiamento até a abordagem ambiental. E impressionou.

É importante levar em conta que essa aproximação foi precedida de um amplo trabalho de estruturação do partido em todo o país, cujo chão tem sua solidez nas alianças já construídas com governos estaduais, em boa parte aliados ao Planalto.

Não são poucos  casos como o de Sergipe, em que coube ao governador comandar o processo de estruturação do PSD, que passa a funcionar como sublegenda nesses estados onde o DEM, sua origem, é oposição. Assim foi na Bahia também, no Mato Grosso, Rio Grande do Norte, etc.

Nada mais forte e explicativo da velocidade com que o desafio de fundar uma legenda a tempo de participar das eleições de 2012 foi vencido.

A circunstância e o tom do encontro entre Kátia e Dilma é a marca que o PSD quer imprimir ao seu comportamento no cenário partidário nacional: liberal e pragmático, avesso a patrulhamentos e imune a constrangimentos ideológicos.

“Somos liberais e conservadores e vamos trabalhar em cima de um programa que contemple nossas metas, exercendo o processo de convencimento junto ao governo quando isso significar avanços objetivos para nós”, define o veterano Saulo Queiroz, ex-tesoureiro do DEM, e principal artífice da engenharia que viabilizou o partido.

Cabeça de juiz é sempre uma incógnita a desautorizar profecias, mas tudo indica que a justiça eleitoral referendará o novo partido e até aprovará suas reivindicações na esfera do tempo de televisão e outras de importância vital para a disputa eleitoral próxima.

O que, consumado, dará ao governo federal um parceiro em objetivos pontuais convergentes,  e capaz de reduzir parcialmente os danos dos conflitos com sua base de sustentação.

O perfil do PSD é de gente habituada à costura política, feita sem alardes, com a característica de absorver perdas e danos como parte do processo político, sem fechar jamais as portas à negociação.

É um velho estilo que surge como fato novo no contexto atual em que os conflitos políticos têm sido resolvidos “a sangue”, como declarou o ministro das Cidades, Mário Negromonte.

Quase um UFC – o torneio de vale-tudo de sucesso mundial.

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