PSB prepara candidatura própria em 2014 também no DF

João Bosco Rabello

28 de outubro de 2012 | 14h47

Eleições municipais não são afetadas pelo xadrez político federal, como os resultados até aqui reafirmam. Se há um dado que parece incontestável é que os prefeitos cujas gestões estavam bem avaliadas conseguiram a reeleição. Exceções a essa regra são poucas e certamente encontram explicação no apoio de governadores bem avaliados.

Onde esteve insatisfeito, o eleitor escolheu novas lideranças ou, à falta delas, convocou antigas que condenara ao purgatório, para mais uma chance, caso de Aracaju, por exemplo, onde o veterano João Alves teve vitória esmagadora. Ocorre com frequência essa espécie de rodízio, ainda que possa vir travestido do novo, caso de São Paulo, onde o conceito é estritamente etário e repete o revezamento histórico entre PT e PSDB.

Mas as eleições municipais, na mão inversa, influem no plano federal, como igualmente reafirma o cenário atual. Governadores bem sucedidos nos seus estados, como Aécio Neves (MG) e Eduardo Campos (PE), aumentaram seu cacife eleitoral e são indiscutíveis protagonistas das duas próximas eleições presidenciais – em 2014 e 2018.

E é nesse contexto que o PSB, de origem mais recente e historicamente menos influente que os grandes partidos, ganha capilaridade, visibilidade nacional e dimensão política, fatores que o beneficiam com maior autonomia de movimentos e lhe impõem exercício mais pragmático na administração de suas alianças. Caso mais ostensivo, no momento, com o PT.

Já percebido nos episódios de Recife e Belo Horizonte, onde impôs ao parceiro da base aliada, candidatos vitoriosos, o PSB segue a corrente natural que estende os movimentos de independência do partido às cidades em que for perceptível a possibilidade de voo solo. É a regra natural da política que foge ao controle de cúpulas, porque determinada pelos interesses regionais.

É um cenário que dita também a necessidade de diversidade nas alianças, o que se traduz por uma gradual renovação de parceiros e redução da centralização das negociações numa só grande legenda, ainda que esta, no caso do PT, tenha o poder federal como poderoso centro de gravidade a atrair e sustentar linhas auxiliares.

Esse efeito eleitoral no PSB, de poder multiplicador intrínseco, chega agora a Brasília, onde a sucessão do governador Agnelo Queiroz (PT) está em curso –  precipitada, é fato, pela péssima gestão do PT. Fosse outra a avaliação do governador, certamente essa movimentação aconteceria mais à frente e o alcançaria em condições de influir no processo.

O senador Rodrigo Rollemberg (PSB) abandonou a discrição com que cultivava sua candidatura, autorizado pelo redimensionamento de seu partido na aliança, mas também pelas sucessivas suspeitas que, de tempos em tempos, ameaça policialmente a administração Agnelo. E  lança-se com apoio do senador e ex-governador Cristóvam Buarque (PDT).

Caso mais recente de um suspeitíssimo e mal explicado contrato de planejamento urbano, de R$ 9 milhões, firmado com uma empresa de Cingapura – sem licitação, e  conduzido de forma deliberadamente fechada.

Não faltou a Agnelo suporte federal para evitar uma humilhante queda política, detectada pelo Palácio do Planalto e responsável pela intervenção branca e discreta em seu governo, no qual aportaram em missão saneadora personagens da confiança pessoal da presidente Dilma Rousseff, como o ex-ministro da Justiça, Luis Paulo Barreto, entre outros.

Passada a emergência que dera causa à intervenção, no entanto, Agnelo parece ter recobrado o ânimo para reassumir plenamente o comando, como o paciente que, à revelia do médico, suspende o tratamento, considerando-se apto a tocar a vida sem o auxílio de aparelhos.

Ao súbito ânimo do governador, que o catapultou até Cingapura para planejar o futuro de Brasília, corresponde o desânimo dos auxiliares palacianos preocupados com um presente destituído de políticas públicas básicas em Segurança, Saúde e Educação.

Em tal cenário, além de Rollemberg, movimentam-se potenciais candidatos, como a deputada distrital Eliana Pedrosa (PSD), cuja preocupação com os eleitores saudosos do ex-governador José Roberto Arruda, dão bem a dimensão crítica da gestão Agnelo. Corre por fora ainda, Luis Pitiman, deputado federal pelo PMDB, de malas prontas para o PSDB.

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