Pressa de Kassab pode ter inviabilizado incorporação do DEM ao PMDB

João Bosco Rabello

13 de novembro de 2010 | 17h00

KASSAB07.JPG

De olho na sucessão estadual de 2014, Kassab despertou reações contrárias da cúpula do DEM e do PT. Foto: Hélvio Romero/AE

Os defensores da incorporação do DEM ao PMDB atribuem ao açodamento do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, o fim da idéia. Ninguém se arrisca a emitir o atestado de óbito, mas é consensual que dificilmente haverá chance de retomada do projeto.

Ao formalizar a proposta com tanta antecedência, de olho na sucessão estadual de 2014, Kassab despertou as reações contrárias, da cúpula do DEM ao PT, que acusa o PMDB de estimular a oposição para tornar-se majoritário na aliança governista.

Essas são as dificuldades que inviabilizaram, pelo menos no médio prazo, a costura política da incorporação. Esta  difere das outras formas de união partidária que pressupõem a auto-dissolução do DEM, como a fusão.

“Para ter chance, teria que haver namoro e noivado, para ver se dava casamento”, resume o tesoureiro e estrategista do DEM, Saulo Queiroz, confirmando a precipitação do prefeito paulista.

A incorporação permitiria que o DEM preservasse o tempo de TV e o fundo partidário, que levaria para o PMDB. Seria, por assim dizer, o dote da noiva.

Mas uma operação política de tal extensão só se viabiliza pela negociação e teria que ser precedida necessariamente de uma parceria informal no primeiro ano da nova legislatura para desarmar os espíritos dentro do próprio DEM.

A incorporação só ocorreria se sacramentada pelos dois partidos em convenção nacional, que por sua vez só pode ser convocada pelas Executivas ou por maioria dos diretórios de cada legenda, premissas inexistentes hoje no Democratas, que vive   grave crise de comando.

Kassab deve ir para o PMDB  por conta própria e com aliados de São Paulo.

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.