Presidente do INSS caiu por má gestão, sustenta relatório

Andrea Vianna

22 de outubro de 2012 | 18h51

Um relatório de Gestão do Ministério da Previdência Social sugere que o ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) Mauro Hauschild, demitido na semana passada, não caiu por motivação política, e, sim, por incapacidade gerencial. Hauschild, filiado ao PT, entregou o cargo na última quinta-feira (18) e será substituído por um nome indicado pelo PMDB: Lindolfo Sales, chefe de gabinete do ministro da Previdência, Garibaldi Alves (PMDB).

Os indicadores de avaliação da autarquia indicam que, em linhas gerais, houve uma piora dos números sob a gestão de Hauschild. “Havia ali um foco de retrocesso”, afirma uma fonte do governo. Uma reunião de avaliação da gestão do INSS ocorrida em maio na Casa Civil chegou a traçar um plano de emergência para a autarquia, que não se viabilizou.

Embora, por si só, não descartem eventual motivação política, os números são fortes para respaldar a negativa do governo. O documento sustenta que o tempo médio de espera por atendimento no órgão que era de 15 dias em dezembro de 2010 subiu para 28 dias em agosto de 2012, com picos de até um mês. Outro indicador negativo é o agendamento das perícias médicas.

O relatório gerencial afirma que o tempo de espera pelas perícias – que era de dez dias, em média, em janeiro de 2011 – , triplicou, chegando a 35 dias em agosto de 2012. Além disso, Hauschild teria desfalcado a equipe de perícias, ao indicar médicos para assumir superintendências do INSS nos Estados. Houve substituições no Ceará, Rio Grande do Norte, Alagoas, Pernambuco e Bahia.

Ontem Garibaldi Alves refutou as especulações de que a demissão de Hauschild teria motivação política, em troca do apoio de Gabriel Chalita (PMDB) ao candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad.

Podia parar aqui o ministro, sem a ênfase seguinte, que é de fazer rir: “Essa vaga sempre foi do PMDB. Nem sabia que esse rapaz era do PT…”

 

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