Por apoio, governo dá tratamento vip a PTB de Roberto Jefferson

João Bosco Rabello

07 de fevereiro de 2011 | 14h17

De olho em  22 votos na Câmara e 6 no Senado, o governo decidiu dispensar tratamento especial ao PTB que, além de preservar o que já tinha no governo Lula, entrará na partilha do segundo escalão que está em curso.

Considerando que o partido está na denúncia original do mensalão e que foi aliado de José Serra na campanha presidencial, a anistia foi ampla, geral e irrestrita.

Incluiu até mesmo o reatamento com Roberto Jefferson, que infernizou a vida de Lula e pôs para fora do governo o então ministro do Gabinete Civil, José Dirceu.

Para o maior desafeto do PT, tudo é passado agora. Dilma não é continuísmo para ele.

“Sendo a Dilma e não  mais o Lula nem o José Dirceu, não tem problema de apoio”, afirmou.

“Lula estragou a relação, ele se queixava de mim em toda a parte”, diz .“Agora, é outro governo, uma coisa nova que está começando”.

E mais: garante ter uma “relação pessoal” com Dilma muito melhor do que a que manteve com José Serra.

Diz que às vezes passava de tarde para bater papo com ela no Ministério das Minas e Energia (MME) e que, juntos, cantavam árias de ópera.

O  partido já indicou nomes para a direção da Superintendência de Seguros Privados (Susep),  Companhia Nacional de Abastecimento (Conab),  BR Distribuidora ( subsidiária da Petrobrás), Casa da Moeda, Agência Nacional de Transporte (ANTT) e Caixa Econômica Federal (CEF).

A conversa sempre é a mesma: não há fisiologismo, mas um tratamento proporcional ao tamanho do partido, como diz o seu líder na Câmara, Jovair Arantes (GO).

E o PTB inicia a legislatura sem alterar o tamanho de suas bancadas.

O que lhe garante  a presidência de uma comissão técnica na Câmara e no Senado, além de uma vaga na Mesa Diretora.

Os líderes nas duas Casas do Congresso, deputado Jovair Arantes e senador Gim Argello (DF), serão mantidos.

Pelos menos os petebistas vivem a era pós-Lula, como se deduz da fala do deputado Nelson Marquezelli (SP), cheio de elogios à presidente Dilma Rousseff.

“Ela está indo bem, é discreta, trabalha muito, é competente e boa gerente. Agora daremos apoio total, fechado”, afirma. 

Também o líder Gim Argello garante que o contato com o governo ficará ainda melhor. “As bancadas não têm do que reclamar”, assegura.

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