Polêmica compra de caças volta à pauta

João Bosco Rabello

11 de agosto de 2013 | 12h46

A polêmica concorrência para renovação da frota de caças da Força Aérea Brasília (FAB) volta à pauta na próxima terça-feira, quando o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, expõe aos deputados da Comissão de Relações Exteriores o andamento das negociações.

Também há expectativa de que o ministro da Defesa, Celso Amorim, vá ao Congresso ainda neste mês informar os parlamentares sobre os últimos movimentos da licitação e traçar um cronograma para possível desfecho da compra até o fim do ano.

Há duas sinalizações do governo para que a concorrência – que se arrasta há 17 anos – seja concluída no fim do ano. A primeira é pragmática: os aviões Mirage 2000, destacados provisoriamente para a defesa área serão desativados em 31 de dezembro, o que deixará o espaço aéreo brasileiro vulnerável.

Outro sinal veio do Palácio do Planalto no início do ano: o governo recomendou ao PT que, na distribuição dos cargos na Câmara, escolhesse a presidência da Comissão de Relações Exteriores, a fim de que um petista comandasse os debates sobre a compra dos caças.

O indicado para o cargo pela bancada foi Nelson Pellegrino (PT-BA). Nos últimos anos, a comissão vinha sendo uma escolha da oposição.

Os caças Mirage que estão em atividade, e serão aposentados em dezembro, foram comprados pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2005 como recurso provisório, até a chegada das aeronaves avançadas previstas na escolha do programa F-X2, para a renovação da frota.

O programa de reequipamento da aviação de combate começou há17 anos, e a deliberação final foi transferida de Fernando Henrique Cardoso para Lula, que por sua vez, a delegou a Dilma Rousseff.

Numa das últimas declarações sobre o tema – na visita oficial à França, em dezembro – Dilma jogou água fria nas expectativas do presidente francês, François Hollande, que negocia a venda dos caças Rafale, da Dassault.

Na ocasião, Dilma afirmou que a decisão sobre a compra dos caças – que estava prevista para o final do ano passado – havia sido adiada porque dependia da recuperação econômica do Brasil.

“Nós esperamos que o Brasil cresça nos próximos meses a uma taxa que permita que esse assunto volte à nossa pauta como sendo uma prioridade”, havia declarado Dilma.

Com o baixo crescimento da economia e a escalada da inflação, a concorrência acabou congelada.

Além da Dassault, estão na disputa os caças Super Hornet, da americana Boeing, e o Gripen, da sueca Saab. Para a definição, o governo analisa critérios como transferência de tecnologia e parcerias dos fornecedores com a indústria nacional.

O programa está orçado entre US$ 4,5 bilhões e US$ 6,4 bilhões. Os novos aviões deverão reforçar o combate ao narcotráfico, a proteção de áreas sensíveis como as reservas de petróleo do pré-sal e da Amazônia, além dos mais de 17 mil quilômetros de fronteira.

 

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