PMDB se impõe contra supremacia do PT na aliança

João Bosco Rabello

03 de novembro de 2010 | 13h20

O chamado governo de transição, expressão cunhada para definir a passagem entre o governo que sai e o governo que entra, passou a ocorrer no Brasil apenas de oito em oito anos, desde a vigência do instituto da reeleição, na gestão de Fernando Henrique Cardoso.

A eleição de Dilma Rousseff , por ser um governo de continuidade, prorrogaria por mais quatro anos, pelo menos, uma transição efetiva, não fosse a aliança com o PMDB, essencial à sua vitória.

Nas circunstâncias atuais, a transição já em curso deixa de ser meramente administrativa para ser essencialmente política. E se dá com o PMDB no ambiente do Poder Executivo, depois de muitos anos impondo sua força parlamentar aos governos que dele sempre dependeram.

Historicamente avesso a alianças, o que lhe custou derrotas sucessivas no passado, o PT não dissimula o desconforto com as negociações naturais impostas pela coalizão que elegeu Dilma Rousseff.

Opera com o espírito de supremacia na aliança, surpreendendo-se, aqui e ali, com a cobrança do parceiro principal para aquilo que é o mais óbvio: participação  nas decisões que começam a ser tomadas.

É uma cobrança com mais sentido formal que prático, já que essa primeira etapa de negociações tem em Lula, ainda presidente, o fiador e amortecedor de conflitos.

E Lula age como o fez durante todo o governo, impondo limites ao PT e unindo interesses muitas vezes contraditórios, ora à esquerda, ora à direita, ora com capitalistas, ora com sindicalistas. O que o levou à auto-definição de “metamorfose ambulante”.

Esse estilo, que ao longo de oito anos consolidou o que se convencionou chamar de “lulismo”, prevalecerá na fase de transição.

Depois dela, só se sabe o que o ex-ministro José Dirceu deixou escapar durante a campanha: o PT tem a esperança e determinação de fazer do governo Dilma o seu governo de fato, já que não emplacou com Lula as metas históricas do partido.

Nesse aspecto, a continuidade dos limites será o PMDB e a presidente Dilma Rousseff, a se tomar como premissa – e não promessa -, suas primeiras declarações pela democracia, configuradas na preservação da liberdade de imprensa.  

Ainda que não seja concessão, mas direito constitucional, é bom o registro a seu favor pelo freio que pode representar a iniciativas em curso, como as leis estaduais que pretendem o controle da mídia.

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