PMDB revive unidade que elegeu Tancredo e nova expectativa de Poder

PMDB revive unidade que elegeu Tancredo e nova expectativa de Poder

João Bosco Rabello

24 de agosto de 2010 | 16h11

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Lula ficou maior que o partido e a ele se impôs produzindo o Lulismo. Foto: Paulo Liebert/AE

A se materializar em vitória de Dilma Rousseff o que os números das últimas pesquisas registram, a presente eleição projeta um cenário partidário com realinhamentos importantes, tanto sob o prisma histórico quanto em termos futuros.

Mesmo com a humildade estratégica que impede comemorações antecipadas, o PMDB já vive a euforia de um renascimento. Desde a eleição de Tancredo Neves o partido não se apresentava unido em torno de um projeto de governo, como acontece agora.

Para o PT, a vitória representará a continuidade de uma experiência que amoldou o partido ao seu principal líder, Lula, cujo exercício do Poder conteve os radicalismos da agremiação.

Lula ficou maior que o partido e a ele se impôs produzindo o Lulismo – uma espécie de liderança que recusa o rótulo de esquerda, amplia a classe média, viabiliza ganhos para a elite empresarial e econômica e ascende a patamares inéditos na história política do país.

Depois dele, o PT jamais será o mesmo e dividirá o governo com o PMDB,  sob a presidência de uma personagem sem biografia partidária e sem vínculo histórico com o partido.

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PMDB de Temer chega ao Executivo exibindo unidade interna. Foto: Wilton Junior/AE

Pouco muda para o PT, portanto. Mas para o PMDB é o fim de um ciclo que estigmatizou (justamente) o partido como uma frente fisiológica tão voltada para seus próprios interesses que se caracterizou por não querer chegar ao governo. A antítese de qualquer partido político.

Agora o partido chega ao Executivo exibindo unidade interna, participando da formulação do programa de governo, comprometido com os rumos da futura gestão, da qual será parte. Pela primeira vez correu o risco ao apostar numa candidata quando esta não registrava 5% de intenções de voto  e o adversário, hoje inferiorizado na disputa, mantinha-se na casa dos 40%.

Nas avaliações internas, feitas ainda de forma descompromissada, o PMDB se identifica como o partido de centro, num cenário em que se prevêem três partidos fortes e representativos: além dele, PMDB, o PT e o PSDB possivelmente inflado por adesões do DEM defensoras de uma fusão.

O PT seria a esquerda e o PSDB, se mesclado ao DEM, um centro-direita. Sem o DEM, um partido social-democrata mais reduzido nos seus quadros e na estrutura nacional. Continuará a ser um partido paulista, caso o senador Aécio Neves não consiga eleger seu candidato ao governo de Minas, Antonio Anastasia.

Se vitorioso, Aécio chega forte ao Senado transformando-se na principal liderança tucana e terá alcançado a meta que anunciou ainda presidente da Câmara, de combater a hegemonia paulista no partido. Meta, aliás, que provavelmente o moveu a recusar a vice na chapa de Serra e que também é comum a correntes do PT em relação ao partido.

O arco de alianças que configurará a base aliada de um eventual governo Dilma Roussef será a mesma de agora, com o retorno do PTB que, na disputa eleitoral assumiu a candidatura Serra apenas na figura de seu presidente, Roberto Jefferson. O resto do partido está de malas prontas para embarcar na candidatura patrocinada por Lula.

Em tal contexto, não é exagero afirmar que essa é uma eleição do PMDB, pelo que ela representa para o momento vivido pelo partido e pela perspectiva que oferece de voltar a ser protagonista da cena política e não mais um coadjuvante com invencível poder de chantagem sobre os governos.

Não será surpresa de o PMDB vier a ter candidato próprio em eleições futuras. Do que não se tem mais qualquer dúvida é quanto à sua decisiva influência no governo que disputa em aliança com o PT.

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