PMDB atua para livrar Protógenes da cassação

Andrea Vianna

17 de junho de 2012 | 17h31

O líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), tomou a frente das articulações para tentar livrar o deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) da cassação no Conselho de Ética. O parlamentar foi flagrado em interceptações telefônicas da Polícia Federal na Operação Monte Carlo, em conversas com o ex-sargento Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, um dos integrantes do esquema do contraventor Carlos Cachoeira.

Alves está em linha direta com a líder do PCdoB, Luciana Santos (PE), a quem garantiu os votos contrários do PMDB à condenação do comunista. O relator, deputado Amauri Ribeiro (PT-BA), apresentou na última quarta-feira um relatório preliminar, recomendando a abertura de processo contra o deputado e o aprofundamento das investigações. Protógenes afirma que suas conversas com Dadá não têm envolvimento com o esquema de Cachoeira. A votação do parecer acabou adiada para 4 de julho.

Henrique, que age motivado pela pré-campanha à presidência da Câmara, acabou ganhando o apoio do líder do PT, Jilmar Tatto (SP). O voto desfavorável do petista Amauri Teixeira irritou caciques da legenda, que saíram em defesa do comunista. Jilmar Tatto, que não faz parte do Conselho de Ética, compareceu à reunião do colegiado na última semana para dizer que a opinião de Teixeira não representa a do PT, que defende a absolvição de Protógenes.

O pedido de vista do relatório de Teixeira partiu do deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), que pediu mais tempo para analisá-lo, alegando sobrecarga de trabalho com a CPI do Cachoeira. Sampaio surpreendeu, já que a representação contra Protógenes partiu do PSDB. O gesto do tucano irritou Amauri Teixeira, que atribuiu o atraso no processo ao “jogo político”.

Teixeira, na verdade, manifesta um sentimento compartilhado pelos deputados do chamado “baixo clero”, ao qual ele pertence. Este segmento não exerce funções de liderança, mas forma a maioria da Câmara. E essa maioria não nutre nenhuma simpatia por Protógenes. Consideram-no um “arrogante”, que chegou ao parlamento “com ares de superioridade”, nas palavras de um deputado desse grupo.

Se pudessem, votariam pela cassação de Protógenes, afirma este representante do “baixo clero”. Mas como essa maioria deve fidelidade aos líderes da bancada e, na maior parte do tempo, vota conforme a orientação deles, as chances são de que o ex-delegado seja absolvido, apesar da antipatia que inspira aos colegas de parlamento.

 

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.