Pesquisa repõe a realidade eleitoral

Pesquisa repõe a realidade eleitoral

João Bosco Rabello

29 de março de 2010 | 18h47

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Serra cresce no momento em que a estratégia de Lula de aparecer ao lado de Dilma entra em contagem regressiva. Foto: Ernesto Rodrigues/AE

A recente pesquisa Datafolha que registra um índice de 36% em favor do ainda governador José Serra é um divisor de águas na campanha presidencial.

O efeito desse resultado vai desde o assanhamento do PMDB – que torcia para ter ampliado seu poder de barganha na indicação do vice de Dilma -, até uma maior facilidade do PSDB nas alianças regionais e no patrocínio da campanha.

Assanhado também ficou o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, neo-peemedebista, que vê sua pretensão de ser o vice de Dilma com mais chances.

A pesquisa apenas repõe a realidade de uma disputa que não será fácil para nenhum dos lados.  A fidelidade de Serra ao timing que se impôs – e que se revela agora acertado -, deu à pré-campanha  um resultado falso-positivo de vitória antecipada da candidata de Lula.

Tanto que o PT já projetava um crescimento potencial de 19% para Dilma. Tão equivocado quanto imaginar que a dianteira da candidata de Lula era fato consumado.

Serra cresce no momento em que a estratégia de Lula de aparecer ao lado de Dilma entra em contagem regressiva. A campanha começa para valer a três meses da proibição de Dilma para subir em palanque com Lula.

A ministra levou um ano inteiro para chegar ao patamar atual, depois de longa exposição ao lado de um  presidente que conseguiu o inédito índice de 80% de aprovação ao seu governo.

Daqui em diante estará em jogo sua capacidade de transferência de votos, aliada à histórica capacidade de mobilização do PT.

Que, no entanto, será equivocada se reproduzir a estratégia de agressão como a promovida pelo sindicato dos professores de São Paulo, – até aqui um ótimo cabo eleitoral de José Serra.

A pesquisa indica claramente que o esforço de inversão de expectativas cabe ao PT: Serra registra vitória em regiões, Estados e segmentos populacionais – como o das mulheres – que o exibe como favorito. E não o contrário.

A campanha acaba de começar.