Pesquisa põe em xeque estratégia de não enfrentar Lula

João Bosco Rabello

24 de junho de 2010 | 00h20

O resultado da pesquisa CNI/Ibope põe em xeque a estratégia do PSDB de separar o presidente Lula de sua candidata Dilma Rousseff. José Serra elegeu Dilma para debater, mas ela o está deixando na mão de Lula. Como ele não quer criar caso com o eleitor que deu ao governo e ao presidente índices recordes de 80% de aprovação, fica limitado aos programas gratuitos e às sabatinas promovidas por segmentos específicos da economia – como CNI e CNA.

Produzida durante o período de maior exposição de Serra desde que oficializou sua candidatura, a pesquisa traz outro dado inquietante para os tucanos: a estagnação de Marina Silva, do PV, na casa dos 9%. Equivale a dizer: se a dinâmica eleitoral não mudar, vencer no primeiro turno passa a ser algo palpável para a candidata do governo.

A campanha de Serra mergulha, a partir de agora, em processo de reavaliação, a começar por um princípio que virou dogma: não criticar Lula. Ainda por merecer uma leitura mais detalhada, a pesquisa divulgada ontem indica que o eleitor inserido nos 80% que aprovam o governo emite sinais de que essa aprovação não é incondicional. Isso fica expresso na queda de aprovação do governo na Educação e Segurança, binômio no qual Serra assenta seu discurso.

Acima de tudo, o eleitor identifica para o candidato tucano em que áreas é receptivo à crítica ao governo e, mais, mostrando que coincidem com aquelas que Serra escolheu para trabalhar a campanha. Há ainda, segundo a pesquisa, 40% de indecisos.

Outro ponto que fragiliza a candidatura tucana, e que soma nesse resultado, é a novela da escolha de seu vice. Menos pelo que ele possa agregar politicamente, e mais pela sensação que transmite de vulnerabilidade política.

A pesquisa indica que, até aqui, Dilma Rousseff acerta ao evitar o tête-a-tête com seu adversário. O PT identifica no debate entre os dois a possibilidade de crescimento de José Serra e, fiel a uma política de redução de danos, vai restringi-lo ao estritamente indispensável.

A campanha de Dilma se desenvolve numa estrutura que compreende as máquinas de PMDB e do governo, a organização e eficiência do PT, tudo embalado num cenário econômico invejável, que ganhou a fisionomia do presidente da República.

Enfrentar tal estrutura requer a qualquer candidato o mínimo de erros e o máximo de acertos. A campanha de Serra está longe desse padrão, pois ainda não se livrou da primeira de todas as armadilhas montadas por Lula: evitar a comparação com o governo de Fernando Henrique Cardoso e renunciar à luta pela paternidade do programa econômico que deu ao País um outro lugar no contexto mundial.

Estrategicamente, o PSDB não deve aceitar a campanha plebiscitária, mas não pode deixar de enfrentar o candidato real que chama-se Luis Inácio Lula da Silva – e o pós Lula, que chama-se Dilma Rousseff.

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