Pesquisa mostra queda de Dilma como tendência

João Bosco Rabello

07 de abril de 2014 | 11h00

A última pesquisa Datafolha mostra um quadro declinante da candidatura Dilma Rousseff, com tendência de consolidação em patamar inferior aos 40%, tanto no quesito aprovação de governo (registrado na pesquisa imediatamente anterior), quanto no que aufere a intenção de voto.

Em ambos, a presidente se fixa agora na casa dos 37%,  vinculando  pela primeira vez  a insatisfação com o governo à intenção de voto. A essa altura, o diagnóstico de vitória em primeiro turno é mera peça estatística, de permanência improvável.

O que passa a orientar a análise política dos atores do processo é a consistência do poder competitivo da candidatura, ainda sustentado por uma conta que não prevê a performance dos candidatos de oposição daqui em diante.

Sem visibilidade até os escândalos envolvendo a Petrobrás, com o pedido de CPI consequente, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o agora ex-governador Eduardo Campos (PSB-PE), tendem a ampliar a percepção de suas candidaturas em ambiente negativo para o governo.

Nas contas dos estrategistas dos partidos, as comparações com 2010, quando a popularidade do ex-presidente Lula foi ativo transferido para a desconhecida Dilma em circunstâncias muito mais favoráveis ao governo, têm orientado as articulações.

Um desses estudos, mostra que o primeiro turno é ilusão sepultada. Sustenta que, de fato, ainda é  muito cedo para apontar favorito para a eleição presidencial, mas o cenário atual, com os quadros estaduais já bem definidos, indica que a eleição no primeiro turno é impossível para a presidente Dilma, mesmo se admitindo uma melhora na recuperação de sua imagem e a de seu governo.

Em 2010 tudo indicava que a eleição se encerraria no primeiro turno e as pesquisas sustentaram esse diagnóstico até a última hora. No entanto, um pequeno ganho de José Serra na reta final e um expressivo ganho de Marina na chegada impuseram o segundo turno.

Comparativamente, nesta existem mudanças importantes com   prejuízo para  Dilma, quase impossível de serem compensados, pela sua magnitude. Feito por aliados, o cenário dessas avaliações recorre a 2010 para mostrar que o quadro hoje é bem mais desfavorável a Dilma.

Em Minas Gerais, onde em 2010 venceu fácil, com 48% dos votos, Dilma dificilmente passará dos 32%, considerando a candidatura de Aécio, fortíssima no Estado. No Rio de Janeiro, onde  teve 43% em 2010 , pela posição de isolamento que o PT assumiu no Estado, dificilmente alcançará 35%.  Na  Bahia, onde obteve 63% em 2010, nesta terá que lutar muito para se aproximar dos 50% e, por fim, em  Pernambuco, onde teve 62% com apoio de Eduardo Campos, hoje , tendo-o como adversário, não deve alimentar esperança de ir além dos 35%.

Então mesmo que mantivesse nos demais estados os resultados de 2010, quando fechou o primeiro turno com 47% dos votos, Dilma teria agora que compensar as perdas nesses quatro colégios eleitorais estratégicos, e ainda arrumar mais 3% de votos ( 4.200.000), o equivalente a um colégio como o de Goiás inteiro a favor,  para fechar a conta acima dos 50% necessários à vitória no primeiro turno.

O que não a inviabiliza, antes a mantém no páreo, mas sem o favoritismo que o PT chegou a alimentar antes das manifestações de junho e, mesmo depois, quando a presidente registrou uma leve tendência de recuperação, já esvaída.

O que preocupa os aliados é que o governo entrou numa agenda negativa agravada pelos escândalos da Petrobrás, da qual nada autoriza imaginar que sairá sem um desgaste político de grande amplitude.

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