Para além do Código Florestal

João Bosco Rabello

14 de maio de 2011 | 18h00

Com o rompimento do acordo que, bem ou mal, fora assinado pelas suas lideranças em torno do texto de reforma do Código Florestal do deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), o governo exibiu a fragilidade de sua articulação política, insuficiente até aqui para administrar os conflitos de interesses entre PT e PMDB – para ficar nos dois maiores partidos de sua base de sustentação.

À parte o mérito da questão ambiental, o que emerge do episódio da última quarta-feira, é a necessidade do Planalto de apelar para um recurso regimental próprio das minorias – a obstrução em plenário  -, para salvar-se de uma derrota acachapante. O texto do relator seria aprovado por mais de 400 votos se posto em votação.

É certo que estava em pauta uma causa de maioria suprapartidária que exige uma negociação muito mais ampla e complexa do que as dos confrontos rotineiros entre governo e oposição. Mas o Planalto condenou seu líder na Câmara, Cândido Vacarezza (PT-SP), à desconfiança eterna dos seus pares.

O sentimento de insatisfação na base não se limita apenas a nomeações frustradas – embora saciadas, representem forte componente de sedução política. Está em curso uma oposição silenciosa à estratégia da presidente Dilma Rousseff de implantar uma gestão de resultados, fortemente baseada no modelo privado, inconciliável com o poder político na forma em que este se consolidou no País.

Nesse quadro, resta ao Palácio o poder coercitivo, cuja eficácia – mostra a história – diminui na proporção do desgaste natural dos governos.

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