Os planos do PSB e a articulação de Eduardo Campos

Andrea Vianna

12 de maio de 2013 | 23h55

Governador de Pernambuco, Eduardo Campos – Foto: Flávio Alves / Estadão

Depois de interromper um longo período de viagens pelo país, despertando suspeitas de que poderia recuar de seu projeto presidencial, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB),  retoma o trabalho de articulação de alianças para a construção dos chamados palanques regionais. A estratégia do PSB está concentrada nas 400 maiores cidades, que reúnem 60% do eleitorado nacional.

Campos oficialmente cedeu às cobranças para não se ausentar de forma ininterrupta do Estado – ele que chegou a afirmar ser possível governar pelo laptop. Seu mergulho incluiu uma incursão no sertão pernambucano, o que serviu também para reduzir a exposição nacional considerada excessiva pelos seus analistas de campanha.

Foram 15 dias durante os quais se especulou que recuaria do projeto presidencial depois de supostamente informado da possibilidade de o ex-presidente Lula vir a ser o candidato do PT  em 2014 , ao invés de Dilma.  Hipótese possível, em que o PSB diz não acreditar.

De qualquer forma, na próxima quarta-feira (15), o governador desembarca na Expogestão, em Joinville, Santa Catarina, para uma palestra sobre gestão pública, ao lado do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB).

Abrindo portas

Campos tem agido bastante nos bastidores. No Ceará, convidou a principal adversária do governador Cid Gomes (PSB) – a ex-prefeita de Fortaleza Luizianne Lins (PT) – a ingressar no PSB. Foi a resposta mais contundente à oposição do correligionário à sua candidatura, que a aceita apenas para 2018.

Em Goiás, Campos reagiu ao  PMDB, que cooptou a principal liderança do PSB no Estado,  o empresário José Batista Júnior, um dos sócios do frigorífico Friboi, em quem o partido apostava todas as fichas para a disputa do governo. Num movimento que contou com a participação do Palácio do Planalto, o empresário  trocou de partido pressionado pela sua condição de sócio do BNDES nos empreendimentos sob sua gestão.

Em menos de um mês,  o PSB tirou do PMDB o empresário Vanderlan Cardoso, ex-prefeito de Senador Canedo, município na região metropolitana de Goiânia. Cardoso era pré-candidato do PMDB ao governo ou ao Senado. “Onde fecharem uma porta outras dez se abrirão”, provocou o governador no ato da filiação de Cardoso ao PSB.

Olho no PDT

No plano nacional, a menina dos olhos do PSB é o PDT. A cúpula socialista acha que o presidente do PDT, Carlos Lupi, no fundo, não perdoou a humilhação que lhe foi imposta pela presidente Dilma Rousseff, quando o demitiu do cargo de ministro do Trabalho na “faxina ministerial”. Os socialistas acham que, movido por esse ressentimento, Lupi traria o PDT para os braços do PSB.

Se o PDT fechasse com Campos, os socialistas avaliam que os trabalhistas desembarcariam do governo Dilma em abril de 2014, entregando os cargos e aderindo ao PSB. Fechada a aliança no plano nacional, com garantia de tempo de televisão para Campos, o PSB cederia as cabeças de chapa nos Estados.

Em Pernambuco, Campos faria seu sucessor o vice-governador, João Lyra Neto (PDT). Em Mato Grosso, apoiaria o senador Pedro Taques (PDT) ao governo. E no Rio de Janeiro, fecharia com o deputado Miro Teixeira (PDT), pré-candidato ao governo, que também vem sendo assediado pelo PSDB.

“Triângulo das Bermudas”

O problema é que os maiores obstáculos de Campos concentram-se nos três maiores colégios eleitorais – São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro – que, juntos, somam 43% do eleitorado nacional.

Nem em São Paulo nem em Minas Gerais o PSB dispõe de nomes competitivos para enfrentar a hegemonia de PSDB e PT. Tanto que nos dois Estados, o PSB não descarta uma estratégia ousada – dividir o palanque do candidato ao governo com a oposição.

Em Minas, o PSB deu prazo até junho para que o prefeito reeleito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB) responda se deseja ser o candidato do partido à sucessão do governador Antonio Anastasia (PSDB).

Se Lacerda rejeitar a oferta, o PSB tem duas alternativas. A primeira seria apoiar a candidatura do vice-governador Alberto Pinto Coelho (PP), que também deverá contar com o apoio do presidenciável do PSDB, Aécio Neves. O plano C de Eduardo Campos é lançar ao governo o deputado Leonardo Quintão, que trocaria o PMDB pelo PSB.

Quintão tem recall no Estado – concorreu à prefeitura de BH em 2008 e não teve nenhuma contrapartida à renúncia feita nas eleições passadas à prefeitura, a pedido da presidente Dilma, feito através do vice-presidente Michel Temer, presidente de fato do PMDFB.

Na mesma aposta arriscada de dividir o palanque do candidato ao governo com a oposição, Campos apoiaria a candidatura à reeleição de Geraldo Alckmin (PSDB) em São Paulo – candidato de Aécio Neves. O PSB tenta convencer o PSDB a montar uma chapa tendo o deputado Márcio França (PSB) como vice de Alckmin.

No Rio de Janeiro, o PSB articula em várias frentes. Se não apoiar o PDT de Miro Teixeira, sonha com o senador Lindbergh Farias (PT). A cúpula socialista acha que, na última hora, o PT vai negar a legenda a Lindbergh para compor com o PMDB de Sérgio Cabral. E nessa hipótese, forçaria Lindbergh a trocar o partido pelo PSB, pelo qual poderia concorrer ao governo fluminense.

Expectativa

O comando de campanha de Eduardo Campos trabalha com uma meta: de que o governador atinja, pelo menos, 12% de intenções de voto até o fim do ano. Nas últimas sondagens, ele aparece com 6%. Os socialistas acham que se Campos alcançar os dois dígitos, terá mais cacife para atrair aliados e arrematar a montagem dos palanques.  Ao PSDB convém que ele se mantenha no patamar máximo dos 8%.

 

 

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