Os 13 eleitores do governador do DF são acusados de desviar R$ 10 milhões

Os 13 eleitores do governador do DF são acusados de desviar R$ 10 milhões

João Bosco Rabello

04 Maio 2010 | 08h00

De acordo com os valores citados no inquérito da Operação Caixa de Pandora da Polícia Federal, o total desviado pelos 13 eleitores do novo governador do Distrito Federal, Rogério Rosso (PMDB), soma pouco mais de R$ 10 milhões.

Esse total considera os eleitores de Rosso que participaram da votação do Plano Diretor de Ordenamento Territorial (Pdot) em dezembro de 2008, mais os R$ 6 milhões que, segundo o ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa, foram pagos ao presidente do PP-DF, Benedito Domingos, em troca do apoio da legenda ao ex-governador José Roberto Arruda na eleição de 2006.

A soma considera os valores mencionados nas denúncias. Em alguns casos, Durval afirma expressamente que o pagamento era mensal, em outros, não. Se todos os pagamentos abaixo de R$ 40 mil citados forem mensais, o valor global aumenta em 20% (cerca de mais R$ 2 milhões).

Segundo Durval, cada deputado que votou a favor do plano diretor teria recebido R$ 420 mil do esquema montado por Arruda.

Abaixo, um a um, os eleitores de Rosso, conforme as denúncias e valores revelados por Durval nos autos da Caixa de Pandora.

CPI / MENSALÃO DEM

1. Eurides Brito (PMDB)

R$ 420 mil (PDOT) + R$ 30 mil + R$ 14 mil

Em vídeo gravado pelo delator do mensalão, a deputada distrital aparece guardando maços de dinheiro na bolsa. Ao Ministério Público, Durval relatou que ela recebia R$ 30 mil por mês.

O nome dela também consta de lista apreendida com o ex-presidente da Câmara Leonardo Prudente, o “deputado da meia, ao lado de valores entre R$ 10 mil e R$ 14 mil.

Por fim, ela votou pela aprovação do novo plano diretor do Distrito Federal. Seu voto teria custado R$ 420 mil, segundo Durval.

Eurides ainda responde a outra denúncia que não consta da Caixa de Pandora: R$ 5,9 milhões em emendas para a Associação de Amigos Pró-Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro, que não teriam chegado à orquestra.

Um dos encargos da entidade é pagar o salário de R$ 40 mil do maestro Ira Levin, que é genro da distrital.

BENICIO/AFASTAMENTO

2. Benício Tavares (PMDB)

R$ 420 mil (PDOT)

Depoimento de Durval Barbosa afirma que ele entregou a Benício dinheiro de propina a pedido de Arruda.

Ele também votou a favor do PDOT e teria recebido R$ 420 mil, segundo Durval.

3. Alírio Neto (PPS)

R$ 420 mil (PDOT)

Ex-presidente da Câmara Legislativa (2007/2008) e ex-secretário de Justiça do governo Arruda, Alírio Neto também recebeu os R$ 420 mil pelo Pdot, segundo Durval.

No mesmo depoimento, Durval afirmou que todas as secretarias de governo ocupadas por políticos com mandatos participavam do esquema de recebimento de propina.

4. Geraldo Naves (sem partido, ex-DEM)

R$ 420 mil (PDOT)

O deputado Geraldo Naves, apresentador do programa “Barra Pesada”, ficou preso por 60 dias, acusado de envolvimento na tentativa de suborno de Edson Sombra, uma das principais testemunhas do inquérito da Caixa de Pandora.

Mesmo motivo que levou o ex-governador José Roberto Arruda à prisão. Naves também votou a favor do PDOT.

5. Cristiano Araújo (PTB)

R$ 420 mil (PDOT)

Cristiano Araújo é acusado por Durval de ter recebido propina pela aprovação do Pdot

Fora do esquema da Caixa de Pandora, uma empresa de sua família do ramo de segurança – Fiança Serviços de Vigilância -, aparece numa das planilhas de caixa dois da campanha de Arruda.

Desde 2007, a empresa já recebeu R$ 240 milhões do GDF, dos quais pelo menos R$ 60 milhões são oriundos de contratos sem licitação. A Fiança presta serviços de vigilância e atende a maior parte do governo.

6. Dr. Charles (PTB)

R$ 420 mil (PDOT) + R$ 100 mil

O nome do deputado Dr. Charles, eleito com os votos dos médicos do Distrito Federal, aparece em documentos encontrados pela Polícia Federal na casa de Fábio Simão, ex-chefe de gabinete de Arruda.

O documento, guardado em um envelope endereçado a Simão, com data de 23 de novembro, traz a seguinte anotação: “1 – chefão 400, 2 – Dep Charles 100, 3 – Pesque Pague 800, 4 – Brazlândia 1500”.

Fora da Operação Caixa de Pandora, Dr. Charles também responde a ação civil pública na qual o Ministério Público denuncia superfaturamento equivalente a R$ 5 milhões em contrato do Programa Família Saudável.

O deputado foi executor técnico do programa. Ele também teria recebido para votar pela aprovação do Pdot.

7. Rogério Ulysses (ex-PSB, sem partido)

R$ 420 mil (PDOT) + R$ 14 mil

Em conversa gravada por Durval Barbosa, o ex-chefe da Casa Civil José Geraldo Maciel fala que Rogério Ulysses receberia dinheiro diretamente com ele e com o ex-assessor de imprensa do GDF Omézio Pontes.

O nome de Ulysses também aparece na lista apreendida com o ex-presidente da Câmara Leonardo Prudente, o “deputado da meia”.

No documento, há o nome de seis deputados, entre eles, o de Ulysses, ao lado de valores entre R$ 10 mil e R$ 14 mil.

Ele também votou pela aprovação do Pdot.

8. Batista das Cooperativas (PRP)

R$ 420 mil (PDOT) + R$ 8 mil

O nome do primeiro-secretário da Câmara Legislativa aparece em tabelas em poder de Durval Barbosa, que segundo o delator, mostrariam a contabilidade dos pagamentos feitos ao grupo de apoio político do governador.

Nesse documento, ao lado da sigla BC, aparece o valor de R$ 8 mil, que seria uma remuneração mensal.

Ele ainda é acusado de receber propina para votar pela aprovação do Pdot.

9. Pedro do Ovo (PRP)

R$ 420 mil (PDOT) + R$ 40 mil

Pedro do Ovo foi um dos dois suplentes afastados das votações relativas ao impeachment e à CPI da Corrupção por determinação da Justiça do Distrito Federal.

Segundo Durval, ele receberia dinheiro para votar os projetos de interesse do Executivo.

O nome dele aparece em uma conversa entre Arruda e o ex-chefe da Casa Civil, José Geraldo Maciel, em que este último afirma que Pedro recebe “trinta” com ele e “mais dez” com Omézio Pontes.

Pedro também votou a favor do Pdot.

posse deputados distritais/Brasília

10. Benedito Domingos (PP)

R$ 6 milhões + R$ 14 mil

Benedito Domingos é acusado por Durval de receber R$ 6 milhões de Arruda em troca do apoio do PP na eleição de 2006.

Em conversa gravada por Durval, José Geraldo Maciel diz que Benedito recebia dinheiro de Domingos Lamoglia, ex-chefe de gabinete de Arruda, conselheiro afastado do Tribunal de Contas do DF e investigado na Caixa de Pandora.

O nome dele também aparece na lista apreendida com o ex-presidente da Câmara Leonardo Prudente, o “deputado da meia”.

Na lista, há o nome de seis deputados, entre eles, o de Benedito, ao lado de valores entre R$ 10 mil e R$ 14 mil.

Não votou no Pdot porque, na época, era administrador regional de Taguatinga. Em seu lugar, votou a favor do plano o deputado Berinaldo Pontes (PP) – também citado na Caixa de Pandora.

11. Aylton Gomes (PR)

R$ 40 mil

Aylton Gomes aparece numa das conversas em que aparecem Durval Barbosa, Arruda e o ex-chefe da Casa Civil José Geraldo Maciel.

No diálogo, Maciel diz: “Aylton comigo 30 e com Omézio (ex-assessor de imprensa) 10”. Segundo Durval, a fala diz respeito à mesada para votação a favor do governo.

Não votou no Pdot porque, na época, era administrador regional de Planaltina.

12. Rôney Nemer (PMDB)

R$ 11,5 mil

Aparece em conversa gravada por Durval Barbosa com o ex-chefe da Casa Civil José Geraldo Maciel.

Os diálogos captados pela Polícia Federal sugerem que Nemer recebia “11 e meio” de Maciel.

Ele não participou da votação do Pdot porque era presidente da Brasiliatur, empresa responsável pelos eventos de Brasília.

13. Aguinaldo de Jesus (PRB)

Ex-secretário de Esportes do governo Arruda, não é citado no inquérito da Operação Caixa de Pandora e retornou à Câmara em março deste ano.

Fora da Caixa de Pandora, porém, Aguinaldo responde, junto com Arruda, a ação de improbidade administrativa em andamento na Primeira Vara de Fazenda Pública.

O Ministério Público aponta falha na contratação da empresa Ailanto Marketing para promoção da partida entre as seleções do Brasil e Portugal, na reinauguração do estádio Bezerrão, em dezembro de 2008.

O contrato, ao custo de R$ 9 milhões, foi avalizado por Aguinaldo e Arruda, mesmo com parecer contrário da Procuradoria do Distrito Federal.

Não votou no Pdot porque, na época, era secretário de Esportes do GDF.