Oposição tem razões para comemorar, mas governo ainda tem fôlego

João Bosco Rabello

30 de abril de 2014 | 20h00

Os candidatos de oposição têm razões para o otimismo que tomou conta de suas campanhas desde a pesquisa mais recente da Confederação Nacional dos Transportes (CNT/MDA. A consulta, afinal, confirma que o aparição no programa de televisão cumpre o objetivo de ampliar a visibilidade de ambos.

É principalmente nos resultados do senador Aécio Neves que essa relação de causa e efeito se apresenta, embora também deva se registrar o crescimento de Eduardo Campos. O salto para além dos 20% ainda se junta a uma rejeição de 43% para a presidente Dilma Rousseff.

Foi esse o porcentual de pesquisados que responderam não votar na presidente em nenhuma circunstância. Fato que liga também a queda de Dilma nas pesquisas a causas bem claras e de difícil reversão, vinculadas à qualidade de vida para as quais não há resposta rápida.

Numa projeção de segundo turno feita hoje, Aécio está distante apenas 10 pontos da presidente Dilma. Considerando a superexposição da presidente em contraste com a do senador mineiro, há mais razões para otimismo dele do que dela.

O PSDB tem ainda 400 programas como o que foi ao ar dias atrás, que serão veiculados durante a campanha, o que deve ampliar bastante a visibilidade do senador. O governo permanece na agenda negativa da economia e da corrupção, cujos efeitos já são captados nas pesquisas.

A pesquisa CNT reforça a anterior do Datafolha no que trata dos índices de aprovação pessoal e de governo de Dilma. Ambos caíram e agora andam juntos, ao contrário de cenários anteriores em que a aprovação pessoal se distinguia da aprovação de governo, mantendo um certo fôlego para a presidente.

O momento indica que está consolidado o cenário de um segundo turno, mas ainda bem distante a hipótese de a presidente dele não constar, como já arriscam dizer oposicionistas mais entusiasmados.

Na fotografia de hoje, Dilma e Aécio se enfrentariam no segundo turno, mas ainda há muito pela frente e o chamado fator imponderável tem tempo de sobra para atuar daqui até outubro. Tanto para um lado quanto para outro.

O problema para a presidente é que seu declínio nas pesquisas tem a característica da corrosão, o que o atrela aos problemas enfrentados pelo seu governo na economia e, mais recentemente, com o escândalo na Petrobrás, que já levou um ex-diretor à cadeia e projeta ainda novos danos na medida em que as investigações avançarem.

A queda está, pois, vinculadas a causas objetivas, o que lhe dá consistência. Essa a razão da debandada ainda tímida, mas real, que começa a ser percebida na aliança nacional pela reeleição. Dilma já não gera a expectativa de poder de antes e , por isso, cargos já não têm o mesmo poder de manter adesões.

O que está em jogo agora é a renovação dos mandatos, aquilo que mais move um político, por se tratar de sua sobrevivência. O que orienta a todos nessa fase é a perspectiva de vitória da aliança a qual estiver ligado.

Não se deve subestimar, no entanto, a performance do governo na campanha, embora o presente e as hipóteses futuras já autorizem o fim do favoritismo presidencial.