Oposição não acerta discurso eficiente contra governo

João Bosco Rabello

12 de novembro de 2013 | 20h06

Afora o Mais Médicos, que não gerou efeitos ainda, o governo dispõe apenas de promessas para montar seu discurso eleitoral – tanto em São Paulo quanto no plano nacional, as duas metas relacionadas pelo ex-presidente Lula como prioritárias para o PT. O polêmico programa de importação de profissionais da saúde, pelo menos está em curso.

Com todos os malabarismos contábeis, consta que ainda falta nove bilhões para o governo fechar o orçamento da Saúde e construir a vitrine para a campanha do ministro Alexandre Padilha ao governo de São Paulo. Vai trabalhar , portanto, com aquilo a realizar a partir de um orçamento – de resto, uma peça que qualquer administração pode produzir, sem que signifique a execução e cumprimento das metas.

Há dois anos no comando do país, a presidente Dilma Rousseff  dispõe de pouco mais que o discurso do futuro. Tem o programa Minha Casa, Minha Vida, para abrandar a falta de realizações, embora ele mesmo se constitua num dos exemplos de ineficiência de gestão que caracteriza este governo.

A segunda etapa do PAC , como se sabe, não andou no ritmo e prazos anunciados, como de resto a execução orçamentária de pastas estratégicas como o Ministério das Cidades e dos Transportes. Ambos  responsáveis pelas maiores parcelas de restos a pagar estiveram envolvidos em escândalos e seus principais dirigentes foram demitidos no primeiro ano do mandato de Dilma.

Com a crise econômica batendo à porta, o governo tem de mais forte o que já usou antes: o bolsa-família, que já não representa novidade. Acerta o senador Aécio Neves quando diz que esse benefício já está precificado pelo eleitor.

No entanto, a oposição parece refém ainda das mesmas dificuldades que exibiu na campanha passada para encontrar a forma certa de explorar o lado vulnerável do governo, hoje mais exposto que antes. Na metade do mandato, o governo precisa fazer um esforço ostensivo para concorrer com a crise econômica na mídia.

Promessa é para a oposição, governos exibem realizações. Numa campanha., nada mais óbvio e natural. Mas no caso do governo Dilma, à falta de resultados, o marketing é o sustentáculo da campanha. Como demonstram os factoides produzidos para responder aos protestos de junho e o estardalhaço em torno dos lucros do pré-sal de Libra, postos num futuro mais distante ainda.

O PSDB, dado como rival com mais chances de ir ao segundo turno, parece mergulhado no conflito interno Minas/São Paulo. Quando parece que alcançou um estágio em que o interesse político se sobrepõe ao resto, eis que a disputa entre o ex-governador José Serra e o senador Aécio neves ressurge.

Desta vez, com Serra produzindo a crítica que lhe foi feita na campanha de 2010 – a de que seu marqueteiro desenvolvera a campanha com o mais profundo respeito por Lula, elogiado pelo candidato tucano em todos os debates.

A campanha foi submetida ao medo da popularidade do ex-presidente, a ponto de o PSDB se mostrar constrangido pelo discurso de privatização – que, de virtude virou acusação.

A desorientação chegou ao auge com a crítica ao leilão de Libra sendo exercida pelo viés da… privatização! Pouco se disse sobre a mudança de modelo que espantou investidores e reduziu o leilão a um consórcio.

O PT protagoniza disputas internas muito mais ferozes, mas se dobra à ordem unida de Lula – outra vez na dianteira do processo pré-eleitoral, já definindo o mapa de suas alianças, elegendo seus vitoriosos e suas vítimas entre os aliados.

 

 

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