O “Triângulo das Bermudas” do PSB: São Paulo, Rio e Minas

Andrea Vianna

17 de março de 2013 | 09h04

A construção dos palanques estaduais é um dos principais desafios do PSB para impulsionar a possível candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, à Presidência da República. Por ora, o maior problema é a ausência de nomes fortes nos três maiores colégios eleitorais: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, cujo eleitorado soma 58 milhões de votos, 41% do total no país. “É o nosso Triângulo das Bermudas”, diz um integrante da cúpula socialista.

Em São Paulo, Eduardo Campos dialoga com o ex-prefeito Gilberto Kassab, presidente do PSD e pré-candidato ao governo. O foco é uma aliança nacional com o PSD, em troca do apoio a Kassab no Estado. Esta aliança garantiria ao PSB um tempo razoável de propaganda no rádio e na televisão na campanha eleitoral.

O problema é se Kassab se tornar vice do governador Geraldo Alckmin (PSDB) na disputa à reeleição. Neste caso, o plano B de Campos seria uma aliança com o PPS, numa hipótese mais remota, em que o ex-governador José Serra trocaria o PSDB pelo partido de Roberto Freire. Insatisfeito com a possibilidade de que o presidenciável do PSDB, senador Aécio Neves (MG), assuma o comando tucano, na convenção nacional programada para maio, Serra acenou com a possibilidade de migrar para o PPS. O convite foi feito pelo presidente da sigla, deputado Roberto Freire.

Em 2010, o PSB concorreu ao Palácio dos Bandeirantes com o presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf. Ele chegou em quarto lugar, com 1 milhão de votos (4,5%), numa aliança com o nanico PSL. Skaf prepara-se para voltar à disputa, mas desta vez pelo PMDB.

No Rio de Janeiro, há conversas embrionárias com o ex-governador Anthony Garotinho, hoje líder do PR na Câmara. Garotinho já foi filiado ao PSB e concorreu à Presidência da República pela legenda em 2002. A meta é atrair o PR de Garotinho para uma aliança nacional com o PSB, caso o partido siga insatisfeito com o governo Dilma Rousseff. O PR ficou de fora da reforma ministerial anunciada sexta-feira.

Em Minas Gerais, o nome do PSB é o prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, reeleito no ano passado. A candidatura não é certa, porém, já que Lacerda teria manifestado o desejo de completar o segundo mandato, que se encerra em 2016. O cenário é ainda mais complicado porque Lacerda é afilhado político de Aécio Neves. E o presidente do PSB mineiro é Walfrido dos Mares Guia, ex-ministro do ex-presidente Lula e ligado ao PT.

Outra preocupação de Eduardo Campos é fortalecer o PSB na região Centro-Oeste, onde os socialistas aproximam-se das lideranças do agronegócio. Em Goiás, o controle do PSB passou às mãos do empresário José Batista Júnior, o “Júnior do Friboi”, que disputará o governo do Estado. Seu irmão preside a holding JBS-Friboi, que controla o maior frigorífico do mundo.

No Mato Grosso, o PSB pode filiar o senador Blairo Maggi, insatisfeito no PR. Maior produtor de soja do mundo, Maggi esteve no comando do Estado entre 2002 e 2010 e lidera as pesquisas de intenção de votos para o governo. Mas como Maggi também negocia com o PMDB, outra possibilidade é Campos apoiar a candidatura do senador Pedro Taques (PDT). O PSB já tem um palanque no Estado, com o prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes, que se elegeu no ano passado, com o apoio de Taques.

No Mato Grosso do Sul, o PSB flerta com o senador Waldemir Moka, da ala independente do PMDB e ligado aos produtores rurais. No Estado, o PMDB é rival histórico do PT. Com seis governadores, o PSB garante palanques a Campos, até agora, em Pernambuco, Ceará, Paraíba, Piauí, Amapá e Espírito Santo.

 

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