O risco de um revés revanchista

João Bosco Rabello

14 de maio de 2011 | 20h00

A estratégia de terceirizar a negociação política para evitar a pressão pessoal, tem custado à presidente Dilma Rousseff críticas generalizadas dos parlamentares da base aliada.

São muitas as queixas de deputados por não serem recebidos pela presidente, que também refletem a insatisfação dos ministros com igual tratamento.

O estilo gerencial de reuniões coletivas para balanço das metas assumidas cada vez incomoda mais e constrange ministros que se ressentem das conversas individuais com a presidente – sempre um sinal de prestígio, mas sobretudo uma oportunidade de tentar o convencimento pessoal para salvar interesses partidários.

Sem o convívio, alegam os deputados, não há o apelo pessoal da presidente nas horas em que o governo precisa mais de sua base. Um telefonema, como davam Fernando Henrique e Lula, muitas vezes altera os rumos de uma votação.

Mas criam uma dívida política direta de presidentes com o parlamentar, trunfo que realimenta o toma- lá- dá- cá indispensável para a preservação do poder individual dos políticos , acima  dos  partidos. 

Além do código , que desperta um clima passional, há uma resistência à consolidação desse estilo de governo, que pode recomendar à presidente cuidado para um revés revanchista em algum momento.

No velho estilo do PMDB quando quer aplicar “uma lição” com o objetivo de submeter o governante, como fez muitas ao longo de sua história.